BananinhaAzul porque um dia perguntei a cor de uma banana á minha filha e ela respondeu azul. Embora também pudesse ter este nome porque a cor azul é repetidamente relacionada com Autismo.
Com este blog passo a fazer uma das coisas que mais gosto de fazer que é escrever e escrevo sobre uma temática em que realmente tenho alguma coisa para dizer... Goste!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Ano Novo, Vida Nova..


"Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos"

Luis de Camões
 


Com o ano a acabar, é normal fazermos uma lista de pedidos para o ano que se adivinha. Eu não sou excepção, e como tal aqui fica a minha:

  1. Quero que a Bruna largue as fraldas ( já ando à tempo de mais nos treinos para ir á casa de banho sósinha)
  2. Quero que a Bruna começe a despir-se e vestir-se sósinha (já se vai despindo com pequenas ajudas, preciso agora de consolidar o que já sabe e investir no vestir-se)
  3. Quero que a Bruna finalmente começe a comer sósinha ( ela não tem uma boa motricidade fina e por isso é dificil comer sósinha, mas, estou prestes a comprar uma pequena ajuda para ela poder agarrar nos talheres)
  4. Melhorar a atenção da Bruna ( está difícil )
  5. Melhorar a linguagem de maneira que qualquer um a entenda ( eu entendo mesmo quando ela não fala mas eu sou mãe, não faço nada demais)
  6. Quero que ela começe a conheçer as letras ( este Natal ofereci-lhe um jogo multimédia de letras, vamos tentar tirar partido dele)
  7. Acabar de vez com a agressividade ( ás vezes está melhor outras vezes pareçe que vareia)

Bom se calhar estou a pedir demasiado, mas pedir não custa. E sendo que são doze passas que temos que comer e pedir um desejo por cada uma e eu só estou a pedir  sete coisinhas para a minha filhota...
Para mim os desejos são mais simples:

  1. Emagreçer ( tenho que perder uns bons quilitos, que ganhei em 2012)
  2. Melhorar a alimentação ( uma alimentação com mais grelhados e legumes era o ideal)
  3. Fazer exercício Fisico com mais regularidade ( o que custa é começar, depois é quase como um vicio e até tenho um bom sitio para fazer jogging que sabe tão bem)
  4. Arranjar trabalho ( reparem que já peço trabalho e não emprego. Aqui para nós que ninguém nos ouve, eu até digo sempre que tenho menos escolaridade do que na realidade tenho, isto se quiser arranjar alguma coisa. Ainda assim está dificil).
  5. Terminar uma história que estou a escrever  (já várias vezes começei e pus de lado, só consigo escrever quando me dá inspiração. Escrever com técnica não é para mim)
  6. Sair de casa mais vezes ( este ano pouco saí, tenho que sair mais vezes)
  7. Desejo ter um pouco de mais paciência, especialmente para a Bruna ( nunca é demais)
  8. Quero ir de férias ( se faz favor, se não for pedir muito;) )

    Este ano não peço para deixar de fumar, porque este ano, tcharannn, consegui deixar o vício, já lá vão quatro meses...  espero continuar assim.
Os meus desejos para a sociedade em geral:

  1. Desejo que os portadores de deficiências no geral e autismo em particular deixem de ser marginalizados
  2. Desejo que pelo mundo fora sejam aprovadas mais leis de apoio a autistas, como aconteçeu ontem no Brasil.
  3. Desejo que a fome não entre nas nossas casas, em Portugal especialmente porque já há cá muita fome devido á crise económica e falta de emprego.
  4. Desejo que o Passos Coelho nos dê umas tréguas
  5. Desejo uma maior justiça social, parta todos

Bom já desejei muitas coisas, para o ano venho espreitar esta lista para recuperar o que não conseguir realizar, que espero serem poucas coisas.
Para todos resta-me desejar um próspero ano novo a todos os que se entretiveram a ler este post


 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Técnicas de trabalho de um para um

Eu não sei o que hei-de fazer para conseguir trabalhar com a Bruna. Tirando o que lhe tento ensinar, incluindo o ensino nas tarefas do dia a dia, não consigo. Ela tem uma carrada de jogos didáticos, ele é cores, ele é letras, ele é jogos de semelhantes e de opostos mas não serve de muito, sento-me com ela mas a Bruna não colabora e eu não lhe consigo prender a atenção. Eu sei que não sou professora de educação especial, mas, é importante os pais também fazerem este trabalho, de um para um em casa. Hoje, fui procurar técnicas para trabalhar, com ela, em casa. Não encontrei nada direccionado para os pais, mas encontrei algumas técnicas para usar em sala de aula para um ensino inclusivo de crianças portadoras de Hiperactividade com Défice de Atenção no site Wordpress.com.
 Adaptei os métodos para crianças autistas:


Adaptações no ambiente de aprendizagem

  • A criança deve estar sentada num canto, onde não pode ter distrações
  • O ambiente que a rodeia deve ser organizado.
  • A rotina diária deve ser bem estruturada, as tarefas têm de ser realizadas de forma rotineira.
  • As regras devem ser bem claras e o seu cumprimento exigido.

Adaptações para obter atenção

  • Empregar estratégias multi-sensoriais
  • Projectar a voz.
  • Utilizar material visual e colorido
  • Usar sempre que possivel o computador, que pode ser uma ferramenta apelativa

Adaptações no Ritmo de Trabalho

  • Ajustar o ritmo da "aula" à compreensão da criança.
  • Alternar actividades.
  • Reduzir a quantidade e extensão do trabalho, adaptando ao tempo e ao nível de tolerancia da criança.
  • Espaçar pequenos periodos de trabalho com paragens ou mudança de tarefas.
  • Estabelecer límites para terminar as tarefas.
  • Use bastante reforço positivo. Para saber mais sobre reforço positivo pode ler este post .

Adaptações nos Métodos de Ensino

  • Estabeleça tarefas de conclusão rápida(inicialmente), começando a aumentar gradualmente a complexidade e duração das mesmas.
  • Compartimentar as tarefas complexas em tarefas mais pequenas e simples.
  • Exemplifique sempre o que se pretende.
  • Dê pistas à criança em como realizar o trabalho
  • Evite pressionar a criança para esta se despachar com a tarefa.
  • Incentive a criança
  • Evite dar atenção a comportamentos inadequados, iniciados com a intenção de medir forças consigo.


Bom, espero que estas técnicas de trabalho de um para um ajudem não só a mim mas a todos que necessitem delas...

sábado, 22 de dezembro de 2012

Diagnóstico Precoce e sua importancia

Pouco contacto visual, baixa interação, rejeição a toques, comportamentos repetitivo, isolamento e falta de linguagem oral, estes são os sinais mais comuns em crianças que sofrem de autismo. São estes os sinais a que os pais devem estar atentos.
O diagnóstico não deve ser feito para rotular a criança, mas para considerar a possibilidade de uma mudança de estrutura de acordo com o referencial psicanalítico.
Há estudos que apontam para melhores resultados alcançados quando o tratamento é iniciado antes dos 3 anos, portanto quanto mais cedo a criança autista começar a psicoterapia, melhor será a evolução do caso.
A minha filha Bruna só foi diagnosticada aos 3 anos, por falta de conhecimento porque eu estava longe de acreditar que a minha filha tinha algum problema. Embora eu já encontrásse sinais disso, neguei sempre até ter o diagnóstico. Se eu tivesse procurado ajuda mais cedo provávelmente a Bruna já tinha adquirido mais capacidades, por vezes sinto-me um pouco culpada.
Portanto a falta de conhecimento do desenvolvimento psíquico, fisico-motor e afectivo-social da criança leva a tardar o diagnóstico, o que normalmente ocorre é que as pessoas só começam a preocupar-se com a criança quando o atraso na fala é significante, assim acaba por se perder muito tempo no sentido de uma intervenção precoce.
Mas não só a idade é um factor importante. É determinante o tipo de tratamento e a frequência dos atendimentos à criança e aos pais.
Nunca me esqueço que vários médicos  observaram a Bruna e nunca me chamaram a atenção para a realidade do autismo, portanto é uma falta de conhecimento não só dos pais ,mas ,na minha opinião, também falta de conhecimento da parte dos profissionais da saúde.
Em França uma equipa de psicólogos e pedo-psiquiatras lançou uma pesquisa, Preaut, para detectar sinais indicativos de autismo e tratar as crianças precocemente. Estão associados 600 médicos para examinar bebes nos seus primeiros dois anos de vida.
A pesquisa Preaut já chegou ao Brasil, desde 2010 o Instituto da Familia promove a pesquisa em terras de Vera Cruz.
Também no Brasil, o CORA Centro de Otimização Reabilitação do Autista, da região de Leopoldina no norte do Rio de Janeiro tem um programa em que visita clinicas, consultórios e hospitais pediátricos informando os médicos de como identificar sinais de autismo precocemente. Utilizam o video informativo que pode ver aqui.
Ficava feliz que em Portugal houvessem destes programas e pesquisas, mas, a verdade é que em Portugal não há nada... Portanto é quase de única e exclusiva responsabilidade dos país identificarem possiveis alterações do comportamento dos bebes...
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Agressividade e auto-agressividade, 2 pedras no sapato...

A agressividade é mais uma caracteristica do autismo. Lembro-me que desde muito pequena, que a Bruna chegava ao pé de outros meninos e dáva-lhes palmadas, parecia que era a forma que ela tinha para começar uma interacção com eles. É normal, dentro da anormalidade leia-se, por ainda não tinha linguagem e pensamento amadurecido. Aconteçe especialmente porque a criança se  encontra em desenvolvimento e a imaturidade do sistema nervoso e emocional faz com que a criança tenha mais manifestações corporais que verbais e está a ter problemas para satisfazer as suas necessidades.  A agressividade foi aumentando, passou a dar dentadas e a ter também comportamentos de auto-agressão. Os ataques de raiva e agressividade, por vezes, parecia que vinham do nada, mas não existe nenhum comportamento vindo do nada, o que acontecia é que eu ainda não tinha o olho treinado para perceber o motivo que levava áquela reacção. Era uma situação cada vez mais insustentável, os puxões de cabelo que a minha filha nos dava e as mordidelas eram cada vez mais furiosas, parecia que nos ia arrancar pedaços de carne e os nossos cabelos ficávam-lhe aos montes nas mãos,e era diáriamente mas ela não fazia por mal a agressividade dos meninos autistas não tem o propósito de magoar, não tem nada a ver com o amor que eles sentem, neste caso, o amor que ela sente por mim. Nessa altura eu não podia saber, que não me podia mostrar alterada com aquele comportamento.





Só quando consultei uma psicóloga, ela me informou que deveria responder de forma pacífica, calma e amorosa, uma coisa muito dificil depois de alguém nos magoar a sério, ainda que fosse a minha filha, mas com o tempo acabei por conseguir. Outra coisa que a psicóloga ensinou foi a prever esses momentos e evitá-los, investigando as variáveis que as rodeiam, como em que  momento ocorre, com que pessoa, em qual situação, etc... Quando soubermos o porquê da criança estar sobrecarregada, podemos aplicar estratégias mais uteis para ajudá-las. Outras técnicas que a psicóloga nos ensinou foi a dar algo duro, à Bruna, para ela morder nessas alturas, tal como uma bola de borracha, desta forma ela libertava a tensão acumulada , depois de nos morder ou puxar os cabelos, a Bruna parecia ficar bem instantanemante. Ao libertar a energia acumulada, a criança com este comportamento consegue-se organizar, por isso dar uma bola ou outro objecto que ela possa morder (nada que se parta e que ela acabe por ingerir) é o ideal. Outra técnica, esta já para dentadas que não conseguissemos evitar era, levar o dedo polegar e indicador  em forma de pinça num lado e outro da linha do maxilar da Bruna, ela abria a boca imediatamente.
Foi depois de começarmos a aplicar estas técnicas que conseguimos respirar de alivio. Embora a agressividade dela não tenha ainda acabado hoje em dia, não tem comparação possivel. Já não morde e os puxões de cabelo são rarissímos, aconteçem sobretudo quando vou a conduzir e não lhe vou a prestar atenção, ela puxa embora devagar, e eu penso que é como quem diz "fala comigo". Com a minha mãe, aconteçe mais vezes a Bruna lhe puxar o cabelo, mas a minha mãe ainda não consegue dar uma resposta calma á situação.
Quanto á auto-agressão, foi mais dificil de controlar. Os episódios aconteciam sobretudo em momentos de frustração, mas suponho que também resultávam de crises epilépticas porque desde que controlamos a epilepsia as crises de auto-agressão também diminuiram. Chegou a ter peladas na cabeça de puxar os próprios cabelos e mordia-se nos braços e chegava a fazer sangue, era uma coisa assustadora, mas como a auto-agressão faz a criança sentir um prazer imediato e intenso ela ficava bem no fim de se morder. Há ainda crianças que se auto-agridem para chamar a atenção dos adultos ou para evistar e escapar a tarefas, não era o caso da Bruna. Penso que a medicação que ela toma também ajudou, mas não foi o fundamental.
 Felizmente já não se auto-agride e como já disse quase não nos agride também, depois de ter lidado com esses comportamentos diáriamente, hoje em dia sinto-me feliz por quase já ter controlado todos estes maus comportamentos.
 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Reforço Positivo

O facto de a Bruna cuspir os remédios todos e eu últimamente resolver a situação com chocolates, dá o mote para o post de hoje.
É o chamado reforço positivo, uma ótima estratégia para uma melhor comunicação com crianças não só autistas, mas especialmente... É usado portanto para elogiar quando a criança tem o comportamento pretendido. É também uma boa forma de fazer a criança abandonar um mau comportamento.
Para chegarmos a determinado comportamento desejado nós pais podemos reagir com uma abordagem positiva ou negativa.
A abordagem positiva é por exemplo: ignorarmos determinado comportamento ( algo que sou completamente fantástica a fazer principalemente quando os comportamentos da Bruna são de desafio, ultimamente até eu me espanto com o meu auto- controlo). Ignorar pode ser uma boa medida em algumas situações mas noutras não, por exemplo não podemos aceitar comportamentos que provoquem riscos para eles e para outros.
Há depois o reforço negativo , que é por exemplo a hipótese de proibir a criança de comer algo que ela goste muito, é portanto retirar um estimulo positivo para ela.
É comum haver um certo engano quanto ao que é o reforço negativo e punição, como já referi o reforço negativo é retirar um estimulo, enquanto que, punição é um estimulo que reduz a probabilidade do mau comportamento.





O reforço positivo é utilizado em vários métodos educativos, o mais óbvio é o método ABA, mas não pode nunca ser substituto de actividades apropriadas a cada criança.
A Bruna é uma menina que precisa de muito reforço positivo pelo que qualquer coisas que ela faça bem, eu começo logo: " Muito bem" , "A Bruna é linda e sabe..." por aí.
As recompensas que devem ser usadas são a atenção, o encorajamento eo elogio que é o ideal por ser muito forte e estimulante é a aprovação das suas atitudes pelos pais.
Existem outras formas de recompensar a criança: abraços, beijos ,caricias ou ainda actividades que são do interesse da criança. Os doçes vêm em ultimo lugar é uma recompensa que não deve ser muito usada. Eu uso os chocolates para dar os remédios á Bruna porque já esgotei todas as possibilidades, temo agora esta estratégia que não considero muito boa e tenho que a substituir rápidamente por outra melhor. Até lá lá se vão os chocolates que o avô lhe trouxe da Suiça, vai ser uma razia...
Enfim termino com pequenos conselhos: na aplicação destes métodos seja constante, paciente e consistente, determine qual o comportamento a trabalhar e seja objectivo nas suas ordens e que sejam simples...




 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Ensinando-Portage-Desenvolvimento Motor

Mais do que a capacidade de andar o Desenvolvimento Motor compreende capacidades de: distinguir detalhes em situações móveis ou imóveis, habilidade de separar um objecto do que está à sua volta, habilidade de medir distâncias relativas a si mesmo e a habilidade de usar  a visão e as mãos para acompanhar e interromper a observação de um objecto. É muito frequente em crianças autistas as dificuldades motoras, e devem ser acompanhadas por profissionais como psicomotricistas ou fisioterapeutas. Entretanto podemos ajudar esse desenvolvimento com os exercícios que se seguem(Modelo Portage):



2-3anos
Título: Faz bolas de barro,massa ou plasticina

Como Fazer

  • Utilize massa de farinha ou faça-a você.
  • Corte um bocadinho de barro e mostre à criança como enrolar uma bola entre as palmas das mãos ou sobre a mesa com a palma da mão.
  • Faça-lhe um ninho e mande-a pôr bolas enroladas dentro dele a fingir que são ovos.
  • Deixe a criança ajudá-la a enrolar bolinhos de farinha em forma de bola e depois achate-os com o fundo de um copo.
  • Utilize areia e água fora de casa, para fazer bolas redondas. "Coza-as ao sol.
 
 
 
2-3anos
Título:Dá um pontapé numa bola grande e imóvel
 
 
Como Fazer:
 
 
  • Mostre à criança o que tem de fazer, andando para uma bola e dando você um pontapé. Depois faça com que a criança imite.
  • Ponha-se de pé a alguns centimetros dela, dê um pontapé ou role uma bola na direcção dela para que ela a devolva dando um pontapé.
  • Guie fisicamente a criança no acto de dar um pontapé. Mova-lhe a perna segurando no joelho e no tornozelo. Deixe-a equilibrar-se segurando-se a uma cadeira.
  • Exemplifique o movimento de dar pontapés várias vezes e peça-lhe para a imitar. Elogie-a quando o fizer.
  • Pratique o dar pontapés a outros objectos-balde de plástico, almofada, etc...
  • Cole um peso ou saco de feijões a uma bola para que ela role de forma irregular quando a criança lhe der pontapés.
 
 
2-3anos
Título:Atira uma bola ao adulto que está imóvel a 1.5m de distância
 
 
Como Fazer:
 
  • Começe por se sentar a frente da criança rolando a bola até ela, depois atire aplauda e reforçe.
  • Faça um jogo com uma bóia de praia ou cesto grande e saco de feijão ou bola tentando atirar a bola ou saco de feijões para dentro da bóia ou do cesto.
  • Sente-se a uma distância apróximada de 0.5m da criança. Atire ou role a bola para ela ou coloque-a nas suas mãos. Diga-lhe para atirar a bola para si. Mantenha-se perto dela assegurando-se que as suas mãos estão perto das dela de modo a facilitar o apanhar. Elogie o seu comportamento. Repita o procedimento muitas vezes e vá aumentando gradualmente a distância.
  • Sente-se atrás da criança, pegue-lhe em cada braço enquanto ela segura a bola e oriente o seu lançamento da bola. Elogie e gratifique a criança. Retire gradualmente a ajuda conforme ela for adquirindo a técnica.
  • Use um saco de feijão, uma bola de espuma ou de borracha ou uma bola de plástico grande e ponha-se de pé à distância de 1 metro da criança.Encorage-a a atirar-lhe a bola. Elogie a melhoria da pontaria.
  • Use um grande anel de espuma ou cesto de papéis para a criança meter a bola. Faça com que o resto da família participe também.
 
    A ajuda dos pais nestes execicios de melhora do desenvolvimento é muito importante mas se seu filho apresenta alguns dos aspectos abaixo procure a orientação de um profissional especializado em crianças.

    1. Tem dificuldade em atingir ou manter equilíbrio
    2. Parece desajeitado
    3. Não consegue conduzir bem o corpo em movimento
    4. Parece desajeitado em situações que requerem coordenação
    5. Não distingue prontamente direita de esquerda
    6. Troca letras e números com freqüência
    7. Tem dificuldades de fazer alterações no movimento
    8. Tem dificuldade de fazer combinações de movimentos simples
    9. Colide com objetos e outras pessoas
    10. Tende a ser propenso a acidentes
    11. Tem coordenação olho-mão insuficiente
    12. A aparência geral é pobre
    13. É desatento
    14. Tem dificuldades de se comunicar
    15. Postura corporal pobre
    16. Tem dificuldades de lidar com escadas

     Para redigir o post de hoje usei alguma informação, nomeadamente, os 16 itens de possiveis dificuldades motoras, do blog  "Superando o Autismo".

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ensinando-Portage- Sociabilização e Autonomia

Conforme prometi no ultimo post hoje vou postar as fichas de trabalho do Modelo Portage de  autonomia e sociabilização.
As fichas de hoje são especialmente para crianças de palmo e meio até aos 3 anos.
Começo pela Sociabilização:


0-1 anos
Título: Abraça, faz festinhas e beija as pessoas conhecidas

Como Fazer
  • Mostre afecto como recompensa por um bom comportamento
  • Demonstre afecto quando a criança a procura para que lhe dê mimos e atenção
  • Se a criança tem na cama um boneco favorito mostre como abraçalo e fazer-lhe festinhas
  • Quando a criança estiver para se deitar ou sair, mostre-lhe como abraçar e beijar os outros membros da familia. Depois diga " Dá um beijinho de boa noite ao papá " ou " Dá um beijinho de adeus ao mano". Encorage-a a imitar. Reforce-a com abraços e beijinhos

0-1 anos
Título: Quando brinca imita os movimentos de outra criança

Como Fazer
  • Peça a outra criança que faça uma actividade, por exempo empurrar carrinhos, construir uma torre com cubos, etc... de modo a levar a sua criança a imitá-la. Certefique-se que há vários objectos iguais
  • Peça à outra criança que passe debaixo de uma cadeira gatinhando, ou ponha uma caixa na cabeça. Encoraje a sua criança a imitar
  • Sente as duas crianças ao lado uma da outra. Começe por pedir que faça movimentos que ela consegue fazer bem, tais como "adeus", "bichinha gata", etc. Depois peça novos movimentos como tocar no cimo da cabeça, tocar nos dedos dos pés,dobrar-se e tocar com a cabeça no chão como se preparasse para dar uma cambalhota e andar à roda. Estimule elogiando.
  • Faça rodas com vários movimentos com outras duas crianças.

1-2 anos
Título: Explora activamente o seu meio ambiente

Como Fazer
  • Quando visitar a casa de qualquer pessoa mostre-a à criança e explique onde estão as coisas, diga "Aqui é onde vamos comer", " Brinca com os teus brinquedos aqui".
  • Passeie à volta do quarteirão ou jardim. Pare para olhar e explicar o que encontra à sua volta.
  • Peça à criança para lhe ir buscar coisas. Diga, por exemplo " Vai à casa de banho e traz-me a escova do cabelo".



Bom, aqui já ficam várias actividades que pode desenvolver com o seu pequenino para estimular a sociabilização. Passemos agora para as fichas de Autonomia:


1-2 anos
Título: Indica a necessidade de ir à casa de banho por gestos ou palavras


Como Fazer
  • Use as mesmas palavras sempre que a criança vai, ou vê outros a irem à casa de banho. Quando ela começar a dizer as palavras certas elogie-a e leve-a imediatamente à casa de banho.
  • Tire-lhe as fraldas, durante o dia.
  • Elogie-a sempre que ela der sinal que quer ir à casa de banho. Ignore qualquer acidente que aconteça. Esteja atento às expressões da criança ( tocar-se, inquietação) que possam ser indicadoras de que ela quer ir à casa de banho. Faca-lhe elogios, diga-lhe as palavras associadas à casa de banho e leve-a lá imediatamente.
  • Peça aos membros da família que avisem quando vão à casa de banho utilizando as mesmas palavras que a criança já conheçe.


2-3 anos
Título:Pendura um casaco num cabide colocado à sua altura

Como Fazer
  • Cosa uma corrente de metal para fazer de presilha na parte interior do colarinho do casaco dea criança. Faça com que ela o pendure num  cabide a que possa chegar.
  • Pratique, pendurando no cabide asas de panelas. Começe com uma presilha grande no casacoe gradualmente vá reduzindo o tamanho até chegar ao tamanho normal.
  • Pratique esta actividade no momento oportuno, quando a criança entra em casa com o casaco vestido. Faça com que ela o pendure depois de o despir.
  • Ponha o nome da criança. ou um boneco, no cabide, para que ela saiba qual é o lugar em que deve pendurar o casaco.


Por hoje é tudo. As fichas de Desenvolvimento Motor ficam para o próximo post.
Até lá...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ensinando - Portage- Cognição

Alguns país podem não saber o que é o Modelo Portage e portanto passo a explicar.
É um programa de educação precoce destinado a pais, é um sistema de ajuda à educação de crianças com atrasos do desenvolvimento, seja a nível domiciliário ( os técnicos deslocam-se ao ambiente doméstico dos pais e das crianças), seja a nível de contextos educativos. Surgiu no final dos anos 60 nos EUA; foi depois introduzido no Reino Unido, em 1976 e nos anos 80 chegou a Portugal e também ao Brasil .Contempla 6 áreas de desenvolvimento: Estimulação do Bebé; Socialização; Linguagem; Autonomia; Desenvolvimento Motor e Cognição.
Bom, mas não me vou alargar mais em relação ao método. Nunca tive a oportunidade de usufruir do Portage mas tive acesso a algumas fichas de trabalho que explicam como ensinar determinadas tarefas aos nossos meninos e é isso que pretendo partilhar com o carissimo leitor.

Cognição

1-2 anos
Título: A pedido, constrói uma torre de três cubos

Como fazer:

  • Começe com cubos maiores 5 a 7cm. Exemplifique lentamente em frente da criança como se constrói e vá dizendo "Primeiro este, a seguir este, e agora este". Dê-lhe então os cubos e peça-lhe para fazer uma torre como a sua. Recompense os progressos com elogios e festas.
  • Se for necessária ajuda, guie a mão da criança. Vá reduzindo gradualmente a ajuda física à medida que ela vai sendo bem sucedida.
  • Dê uma pista à criança, apontando onde é que ela deve colocar cada cubo. Recompense-a sempre que ela é bem sucedida.
  • Começe com seis cubos. Construa uma torre com três cubos, enquanto a criança constrói outra em simultâneo. Deixe-a imitar cada um dos seus movimentos á medida que vai fazendo a torre. Elogie- a enquanto ela vai imitando, colocando um cubo de cada vez.
  • Recompense a criança se ela construir uma torre com três cubos, a pedido, sem o modelo
  • Deixe a criança desmanchar a torre. Funciona como reforço positivo.
1-2 anos
Título: Junta objectos semelhantes
Como fazer:
  • Começe com quatro objectos familiares à criança ( duas bolas, duas bonecas, etc...) Pegue numa bola e pergunte à criança " Onde está a outra bola?". Repita com as bonecas e vá gradualmente aumentando o número e o tipo de objectos a associar.
  • Repita a mesma actividade usando imagens em vez de objectos
  • Para variar utilize dois sacos com objectos idênticos. Tire um objecto do seu saco e peça à criança para encontrar o mesmo objecto no saco dela
  • Deixe a criança tentar separar talheres ou T-shirts brancas de meias pretas, ou maçãs de laranjas. Ajude-a indicando um local para uma dada classe de objectos.
Desenvolvimento Infantil
 
 
2-3 anos
Título: Desenha uma linha vertical, por imitação
 
Como Fazer:
 
  •  Cole com fita cola ou autocolante um papel na parede. Deixe a criança observá-la enquanto desenha uma linha vestical de cima para baixo. Peça-lhe para a imitar, se for preciso agarre-lhe na mão. Vá reduzindo gradualmente a ajuda, à medida que a criança adquire prática.
  • Faça um molde de cartão para guiar o traço da criança.
  • Use giz, lápis de cera, lápis de côr, marcadores de feltro.
  • Treine, fazendo linhas verticais na areia, usando tinta para pintar com  os dedosou espuma de barbear.
  • Coloque um autocolante no cimo e outro na base de uma página. Peça à criança para fazer um risco de modo a ligar um autocolante ao outro.
  • Coloque guloseimas que a criança goste na base da página. Diga ás crianças que as pode ter se desenhar uma linha até elas. Ajude-a.
  • Cole o papel á mesa. Incite a criança a usar um lápis de cera par empurrar um cubo para o topo ou para a base do papel. Diga " Vês a linhha? Estás a fazer uma linha cor de...".
3-4 anos
Título:Junta as duas metades duma figura para fazer um todo
 
Como Fazer:
 
  • Utilize um circulo de cartão cortado ao meio. Mostre à criança como fazer um círculo colocando correctamente as duas partes. Peça-lhe para a imitar. Mantenha um segundo circulo inteiro a servir de modelo.
  • Para servir de suporte á criança, desenhe, num papel, um círculo dividido ao meio por uma linha. Faça com que a criança coloque as duas partes do primeiro círculo sobre as linhas de orientação desenhadas no papel. Vá retirando este suporte à medida que a criança adquire competência.
  • Use desenhos simples de animais e de objectos cortados ao meio. Começe por mostrar à criança só uma forma de cada vez. Vá, gradualmente, aumentando o número, de  modo a que a criança tenha de encontar as duas partes que se conjugam.
 
3-4 anos
Título: Emparelha objectos um a um (3 ou mais objectos)
 
Como Fazer:
 
 
  • Coloque três chávenas na mesa. Dê à criança três berlindes. Peça à criança para pôr um berlinde em cada chávena dizendo " Um berlinde para uma chávena".
  • Desenhe três tijelas em coluna ao longo da margem esquerda de um papel e desenhe três colheres também em coluna, ao longo na margem dirita. Peça à criança para desenhar uma linha de forma a unir uma colher a uma tijela.
  • Coloque uma pilha de peças de lego ou cubos vermelhos e outras peças azuis à frente da criança. Tire uma peça de cada pilha e diga " Um lego vermelho- um lego azul". Peça à criança para a imitar.
  • Peça à criança para ajudar a pôr a mesa. Ponha você os pratos e deixa a criança pôr um guardanapo, um garfo, etc.., por cada prato (use pratos de brincar).
  • Deixe a criança distribuir biscoitos, bolachas, bombons, etc.. um a cada pessoa.
  • Deixe que a criança a ajude a decorar biscoitos, colocando um apassa ou uma ginja, em cada um, antes de irem ao forno.
 
 
Por hoje e porque me estou a alargar muito fico-me pelas fichas de cognição e se quer um conselho imprima estas fichas que podem vir a ajudar em alguma coisa, pelo menos é o que eu espero...  
No próximo post vou publicar fichas de sociabilização, desenvolvimento motor ou autonomia.
 
 
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ensinando Linguagem

A falta de oralidade nas crianças autistas é mais um entrave á socialização. Enquanto mãe tenho a noção que quando a linguagem está aprendida estamos um passo á frente para que a nossa criança faça a aquisição de outras aprendizagens.
A Bruna faz muita ecolália (repetição de palavras e frases) e já aconteçeu algumas vezes embora poucas, fazer frases com sentido. A que mais babada me deixa é "Gosto de ti", ui tão bom que é ouvir isto...
Noto que, cada vez fala mais, pelo que me leva a ter uma maior esperança que ela venha a desenvolver uma linguagem "normal"...









Aqui vou deichar algumas técnicas que uso com ela:

Minimizar as questões directas Não vale a pena perguntar "o que é isto?", a criança não vai responder se não souber o que é. É uma pergunta complexa para a criança, portanto não a faça...

Vá fazendo comentários Siga o seu filho e conforme o que ele vai fazendo vamos dizendo o que ele está a fazer, como se estivessemos a falar por ele ex: A Bruna está a comer um gelado. Nós dizemos -"A Bruna está a comer um gelado". Podemos acrescentar: "umh tão bom este gelado"...

Espere a sua vez  Numa eventual troca comunicativa o adulto tem que esperar, pela sua vez (mantendo contacto visual) para falar, não falando por cima da criança para que esta não se retraia na comunicação. Devemos ter o corpo na direcção da criança e ainda recompensar a criança pelo esforço. Basta o " muito bem ".

Crie situações de comunicação Para que a criança comunique espontaneamente é preciso criar situações que a obriguem a tal. Não se pode antecipar tudo o que a criança precisa, para ela ter necessidade de pedir o que quer. Por exemplo a Bruna quando quer uma Banana chega ao pé do frigorifico e fica a olhar para a fruteira. Eu já sei o que ela quer. O correcto é esperar que ela diga, pelo menos, "banana"...

Use e abuse de gestos e expressões faciais O gesto e o movimento tendem a encorajar o discurso. Primeiro capta-se a atenção da criança com gestos acompanhados da palavra de forma á criança ter um suporte visual que traduz o significado da palavra. Até pode fazer jogos com ela: peça-lhe "Atira a Bola" demonstre a actividade depois estenda os braços para apanhar a bola, " Fecha a porta" e aponte para a porta, "Senta-te"aponte para a cadera, "Vai buscar" e aponte para o objecto.

Reduza o tamanho da afirmação Quando se está a falar com a criança ou a comentar o que ela está a fazer tem que se fazer com frases curtas para que não se torne demasiado complexo. Desta forma a criança vai entender melhor. Se por exemplo a criança ainda não é capaz de usar frases com mais de duas palavras, limite o seu discurso ao uso de frases com duas palavras.

Use tom ritmo e volume exagerado É uma boa forma de captar a atenção da criança. Usa-se uma forma de entoação e volume exagerado para facilitar o contacto. É por isto que as  lengalengas são usadas na estimulação precoçe da linguagem e além disso são geralemente repetitivas. Poderá ainda cantar uma canção  e deixar espaço para que a criança colabore com uma palavra.

Contacto Visual  Olhar para a pessoa com quem se está a falar é uma coisa natural e é muito importante para facilitar a comunicação. Olhe para os olhos da criança encorajando-a a olhar para si também. Diga-lhe "Olha para mim" antes de continuar com o que vai dizer , desta forma maximiza a atenção

Reforçe qualquer esforço Não ignore as tentativas de comunicação tanto verbais como não verbais. Responda sempre á criança seja de forma verbal ou não. Desta forma vai-lhe mostar o quão importante é falarmos.

E por fim uma regra muito importante :

Divirta-se sorria sempre que possivel, ajude a criança a associar a comunicação com afecto e prazer. Tente manter-se calmo, imaginativo e criativo


Estas são as regras que eu sigo, pareçe-me que estão a surtir efeito, vou continuar até conseguir um resultado satisfatório...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ensinando I

Educar crianças num ambiente doméstico é um desafio, mas, o envolvimento dos pais em casa na terapia das crianças com PEA é uma mais valia.
Assim como os professores, os pais devem defenir metas para os seus filhos. Essas metas podem passar por ser boas maneiras á mesa, ou, interacções com irmãos por exemplo. Não importa o que seja, mas nunca se deve desviar do objectivo, muito menos desistir porque é dificil...
Os pais, devem-se concentrar em poucos objectivos e só quando os conhecimentos forem sólidamente adquiridos se deve passar para outros. Neste momento os conhecimentos que estou a tentar passar á Bruna, são, de autonomia e independência, comer sósinha e ir á casa de banho em vez de usar fraldas.Os objectivos devem ser muito especificos. Por exemplo, em vez de melhorar as boas maneiras, deve, ensinar primeiro a usar os talheres, mas é claro que não os vamos deixar pôr os pés em cima da mesa. Seus objectivos devem poder ser medidos e registados, para ir sabendo se está a haver evolução.
Nem todas as pessoas aprendem da mesma forma. Algumas pessoas aprendem melhor quando se ouvem em voz alta, outras preferem ler e outros muitos, dos meninos com PEA, aprendem melhor a fazer repetidamente a mesma tarefa. outras, preferem o método visual, fotos e videos são uma ótima forma de aprender, se o seu filho gosta de jogos de computador e videos pode ser um aprendiz visual. O método auditivo, é também um método a ter em conta, se assim for, o melhor é ouvir histórias.
Seja qual for a forma de ensinar o seu filho, a aprendizagem vai ser ótimizada se estiver a trabalhar com ele em casa, o mesmo que os professores e terapeutas.
Estabeleça um plano de ensino. Todos sabemos como é dificil ter tempo para tudo o que precisamos de fazer, um plano vai ajudar. Planeje então o horário em que vai trabalhar com o seu filho, para não começar a fazer tarefas e deixar os ensinamentos para depois. Pode no entanto pode incorporar o ensino em suas rotinas domésticas. Por exemplo peça ajuda para pôr a mesa.
Acompamhar o progresso é fundamental. É importante perceber em que fase estão os conhecimentos, se estão emergentes ou adquiridos, de forma a alterar o método de ensino se for caso disso, ou, inserir um novo objectivo ao seu plano de trabalho. Este acompanhamento ajuda os pais a manterem-se positivos nos seus objectivos.
Duas dicas importantes são:
- Utilize o interesse das crianças para as motivar, tanto para jogos como para recompensa
-Eliminar as distrações ,nomeadamente, luzes brilhantes ou barulhos

Independentemente se os objectivos são conseguidos, ou não, estamos a ajudar os nossos filhos na superação de desafios.Por um lado as crianças apercebem-se do esforço dos pais e por outro lado a criança vai ter um maior progresso geral.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Medicação

Hoje foi dia de ir ao médico. Visitamos o Dr. Pedro Caldeira pedopsiquiatra da Bruna. Os medicamentos que a Bruna estava a tomar aparentemente estavam a perder os efeitos. Nas últimas duas semanas, tem estado mais agitada, da escola já tinha recebido queixas de que não estavam a conseguir trabalhar com a Bruna. Mas o cúmulo foi ela ter chegado a casa com as pernas todas negras, por ter andado a bater com elas nos móveis da escola ( ela deita-se ou senta-se e agita as pernas no ar), quando fui á piscina na sexta feira estava uma senhora nos balneáros que não tirava os olhos de cima de nós, se calhar, pensou que eu batia na miúda, enfim... Aparentemente a medicação estava a deixar de fazer efeito, porque, a Bruna deu agora um grande pulo e aumentou de peso...
Há pais que são contra o uso de medicação, mas eu cá não sou fundamentalista e embora pense que deve ser evitada, também sei que tudo depende de cada caso, embora hajam pessoas que digam que a medicação é para o facilitismo, para mim é para melhorar a qualidade de vida da minha filha. Além disso, crianças não tratadas têm muitas vezes marcada baixa auto-estima. Os pais anti-medicação falam inclusivamente das contra-indicações dos medicamentos, mas eu penso que temos que contrabalançar os efeitos benéficos e os maleficios e chegar a uma conclusão assertiva









A medicação visa moderar a exacerbação de comportamentos menos próprios. A Bruna é medicada para a hiperactividade e agressividade, que são comportamentos extremamente incapacitantes já que eram exagerados, prejudicávam a aprendizagem o convivio com os pares e dificultava que ela se entretesse com actividades elaboradas. Outro dos sintomas a que é tratada é ao Défice de Atenção. São comportamentos que têm que ser controlados pelo que é necessário o uso de fármacos. A Bruna usa Bunil para a ansiedade e agitação e Ritalina para melhorar a atenção. Vai começar a tomar Magnésio com vitamina B6, também para a concentração.

De qualquer forma para medicar a criança, temos que ter vários cuidados:

- Nunca medicar sem consultar o médico- isso é básico de conhecimento de todos.
-Haver uma boa comunicação entre os pais e o médico.
-Delimitar ao máximo o mais precisamente possivel quais são os sintomas alvo que desejamos atingir com a utilização de uma droga especifica.
-Vigilancia médica regular, o minimo duas consultas anuais.
-Análises de 6 em 6 meses.

No entanto, e por mais medicação que os nossos meninos tomem, estamos distantes ainda do objectivo de conseguir modificações essenciais...
 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Porque ajudar não custa!




Com o Natal á porta, as campanhas de solidariedade brotam, um bocadinho, por todo o lado.

Como já é sabido o português é pobre, mas, solidário e como tal o apelo á ajuda não cai em saco roto...

Vejamos algumas iniciativas de solidariedade:





Missão Sorriso








A Missão Sorriso é sobejamente conhecida, faz 10 anos este ano. A missão é espalhar sorrisos, em entidades sem fins lucrativos, ou entidades publicas de saúde, como é o caso dos hospitais pediátricos. A ajuda vem pelo meio de compra de livros, cd´s e jogos da Leopoldina, este ano, foi publicado um livro de culinária. Custa 3.00 € e 1.50€ revertem a favor da causa, nas lojas Modelo/Continente. Quase todos os anos tenho ajudado este ano também vou comprar o livro.
Para além do livro, pode ainda azer um teleonema para o 760101010, a sua chamada contribui com 0.50€ para a Missão. Atenção que o preço da chamada são 0.60€, 0.50€ para a Missão, 0.10€ para a operadora, que não é lá muito solidária e mais 23% de Iva. Um aparte, penso que estas iniciativas deviam estar isentas de iva, qualquer dia ninguém ajuda ninguém.

Este ano, pela primeira vez, as lojas Jumbo promovem a iniciativa Operação Alegria. As destinatárias são as CERCI´S. A campanha promove a venda dos Jumbinhos, uns elefantes de pelúcia, custam 2.00€, metade do valor da receita é entregue ás instituições.

Como há iniciativas para todos os gostos a Mithós- Associação de Apoio a Multidefeciência promove um jantar de natal, angariação de fundos para a associação que visa proporcionar às pessoas portadoras de incapacidade ou deficiência, actividades que estimulem as suas capacidades, bem como a sua auto estima, o apoio moral, social e legal às mesmas e a suas famílias, através de aconselhamento e encaminhamento. As reservas podem ser feitas na página da associação.

Novidade fresquinha vem da Vencer Autismo, a associação vai promover uma venda de natal, portanto já sabe pode fazer as suas compras de natal na venda e está a ajudar. Mata portanto, dois coelhos de uma cajadada. A Vencer Autismo há-de dar mais detalhes ainda esta semana.

Iniciativas não faltam, o que é preciso agora é força de vontade para ajudar.


 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Um dia feliz...

Ok são nove da noite já estou na minha hora de descanso. A Bruna já dorme.
O dia hoje começou cedo, por volta das cinco e tal da manha. Quando a princesa acorda a essa hora escusado será dizer que mais ninguém dorme cá em casa, nem eu nem a avó.
Pensei logo que ia ser um dia dificil e que pouco iria aproveitar das terapias. Á terça feira ela tem de manha, Hipoterapia e á tarde, tem Terapia Ocupacional, seguida de Psicomotricidade.
Quando a fui buscar á tarde, tive uma surpresa. Segundo o terapeuta a Bruna portou-se bem, durante o dia e para meu espanto foi a melhor sessão de Hipoterapia de sempre, com direito a lançamento de bola, pela primeira vez.
Seguimos para a Psicomotricidade. Respondeu muito bem ao que lhe foi pedido esteve mais atenta.
Deve estar algum burro para morrer, ou então, é cá uma ligeira desconfiança que é do óleo de figado de bacalhau.
O dia não podia terminar melhor, quando a estava a despir para lhe dar banho disse-me " Gosto de ti", Iupiiiiii fiquei mais que feliz, esta é a terçeira vez que me diz isto e de cada vez que me diz fico toda babada.
Se calhar vale a pena acordar ás cico e tal da manha, se o resultado for este pode continuar...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Os tiques dos miudos

A Bruna tem tiques. Algumas crianças têem tiques e não só crianças com PEA. Os tiques resultam de uma vontade incontrolável , obsessiva e compulsiva e quando feito o movimento em questão a pessoa obtém uma satisfação.
Existem vários tipos de tiques. Simples ou complexos, clónicos ou distónicos (vocais ou motores) mas sobre cada um não me vou alargar.
A Bruna tem vários, bruxismo (ranger os dentes) geralmente durante a noite, a ecolália (repetição da ultima palavra, frases ou sons de outras pessoas) que também é um tique e flecte os braços e põem as mãos na boca entrelaçando-as, de tal forma que as vezes põem os dedos dentro do nariz e já chegou a fazer sangue...Os tiques geralmente apareçem em momentos de ansiedade, excitação, stress ou fadiga e tendem a reduzir a tensão e impulsos agressivos.
Estes movimentos como é normal irritam-me profundamente e é normal que as familias tendem a reprimir os tiques da criança, o que também aconteçe comigo ás vezes. No entanto, isso não deve aconteçer já que coloca a criança numa atitude de hipervigilância, associando-se um sentimento de culpabilidade e ansiedade o que torna a situação ainda pior.
Os tiques motores simples são geralmente inofensivos mas os tiques motores complexos que persistem por vários anos podem provocar sindromes de lesão repetitiva, com alterações a nível cercical como por exemplo.
O médico deve ser contactado sempre que a frequência, a intensidade e repercussão dos tiques prejudiquem a criança no seu desempenho pessoal ou educacional quer na sua relação com os outros. Também os tiques que persistem por mais de um ano constituem o indicador de que é necessário pedir ajuda médica, que é o que vou fazer na próxima consulta médica.
Para os tiques existe, tratamento médico, tratamento psicomotorou tratamento psicoterapeutico.
Se persistirem, os tiques devem mesmo ser tratados já que acabam por ser motivo de sofrimento e podem levar á exclusão por parte dos colegas e ao isolamento
A Bruna já anda a fazer tratamento psicomotor como o psicomotricista, um tratamento que se baseia no relaxamento através de "apertões" nos musculos, já que ela não colabora a contraír os musculos para em seguida os descontrair.
Assim vai levando uns "apertões" do João e outros meus, vamos ver quando os tiques desapareçem felizmente tendem a melhorar com a idade...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Genéticamente falando

Curiosamente, andei a fazer uma pesquisa na net, sobre, como as mães se sentem ao serem aconselhadas a não ter mais filhos, depois, de um diagnóstico de autismo para um filho. Não encontrei nada que valha a pena apontar.
Isto foi o que aconteceu comigo. Quando a Bruna começou a ser seguida na Genética, a médica avisou-me logo que em 60%  dos casos diagnosticados as pessoas nunca iriam ter a certeza qual o factor que despelotava o autismo se factores hereditários ou outros.
Correram todoas as análises genéticas, que poderiam ser feitas, e não se chegou a uma conclusão, ficamos a fazer parte dos 60% de casos que ficam na duvida.
 A médica aconselhou-me a não ter mais filhos, avisou-me que se os pais têm um filho com autismo, há uma probabilidade maior, estimada de 5% a 8%, que o seus futuros filhos também desenvolvam autismo, uma chance de 1 em cada 10.
Muitos estudos têm identificado deficiências cognitivas, que por vezes não são detectadas, em irmãos de crianças autistas. Os irmãos devem ser avaliados para possíveis atrasos no desenvolvimento e deficiências de aprendizagem, tais como dislexia.
Pois, eu sonhava ter três filhos experimentei uma sensação de desapontamento, porque, tenho medo de arriscar. Mas como costumo dizer, não tenho três filhos, mas, tenho uma que vale por três. Provávelmente deveria considerar o efeito benéfico, de ter um segundo filho, em mim e mesmo na Bruna mas tenho muito medo.
Conheço casos, em que existe mais do que um irmão e apenas um é portador de PEA mas também conheço casos de mais do que um irmão autista.
De facto tenho que tirar o chapeu ás mães que têem coragem para seguir em frente com uma nova gravidez, afinal  se fossemos todos conscientes dos riscos pessoais que temos de transmitir sem conhecer centenas e centenas de enfermidades que transmite o gênero humano , talvez ninguém se animasse a ter descendência...

 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

cerci´s verdades escondidas

No post de hoje venho defender as CERCIS ou Cooperativas de Educação Reabilitação para Crianças Inadaptadas, que pela minha experiência noto que são mal vistas por alguns pais.
A minha Bruna frequenta uma CERCI. Após a conclusão dos 3 anos normais da pré-primária uma questão se colocou, reté-la na pré por mais um ano, deixá-la seguir para a primária ou por fim ir para uma CERCI. Esta última hipótese foi-me colocada pelos médicos da Bruna que se puseram todos ( Equipa do Desenvolvimento, Neurologia e Pedopsiquiatria) em acordo que seria benéfico para ela.  A primeira médica a falar foi a do Desenvolvimento e eu quando ouvi a hipótese não queria acreditar, pareceu-me quase como uma ofensa. Eu tinha uma ideia errada do que é uma CERCI. Eu pensava em instituições totais, com tudo de mau que pode acarretar  a aplicação opressiva ou corrupta do sistema de controles sociais médicos como chegou a acontecer com os abusos com técnicas cirúrgicas como a lobotomia ou o uso de drogas poderosas como o LSD e a negligência e abusos generalizados de pacientes vulneráveis, é claro que isto é uma realidade distante mais perto é o que se observou na Casa Pia com a alegada experiência de chumbar os dentes ás crianças (mesmo as que não precisavam) para testar os problemas de concentração que daí poderiam ocorrer. São estas realidades que deixam uma profunda marca negativa nas instituições. Mas nem todas são iguais.
Os médicos acabaram por me explicar que era melhor para a Bruna devido ás características dela. É claro, que a última decisão foi minha, e não foi uma decisão fácil.
Mas havia outra coisa que me impelia a aceitar esta hipótese. Eu não estava nada contente com o agrupamento em que a Bruna estava inserida, enquanto andou na pré-primária a Bruna ia receber as terapias a uma outra escola onde funcionava uma Unidade de Ensino Estruturado e a dada altura uma pessoa do agrupamento levantou-me suspeitas quanto ao trabalho com a Bruna. Sendo que a Bruna não faz uma comunicação verbal suficiente ( pouco mais que ecolália), por ela eu  nunca iria saber do que realmente se passava dentro da escola...
Penso que a integração ou inclusão infelizmente, é em alguns sítios apenas de boca e pouco mais que isso! Há professores que simplesmente não estão preparados para educar crianças diferentes!
É claro que defendo que a criança ande numa turma regular, numa escola, mas não havendo possibilidade disso, é bom pesar os prós e os contras das duas vias de ensino...
Assim sendo a Bruna foi para a CERCI, uma escola com nome de instituição, onde existem meninos com diferentes tipos de incapacidade e como tal aprendem uns com os outros a superar as suas dificuldades, o acompanhamento psicológico passa pela ajuda dos colegas e não só do psicólogo. A auto-imagem é muito importante, é preciso tratar as crianças como normais. As expectativas positivas têm muita importância para as pessoas, ali eu sinto que tudo isto é respeitado. Ás vezes os adultos são os culpados quando falam de coitadinho para a criança diferente o coitadinho não é capaz. Pois na CERCI não há coitadinhos!
Outra coisa que tenho de falar é da equipa que é transdisciplinar portanto formados em cada área de intervenção e como tal mais capacitados. Dos técnicos aos auxiliares ás educadoras são todos extraordinários na forma de lidar com os meninos, noto isso não só com a Bruna, mas com os outros também.Existe um vinculo entre a criança e o professor pelo que facilita a aprendizagem, já não falando que o trabalho é de um para um que é mais eficaz para crianças com Perturbações do Espectro do Autismo.
Afinal nem todas as instituições são um bicho de sete cabeças!
 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A importancia da amizade...


Hoje fiz uma descoberta. Descobri que o Osmã afinal mora mesmo ao pé de nós. Passo a explicar quem é o Osmã. É um menino da sala da Bruna, de quem ela fala ás vezes, portador de Triossomia 21, não verbal. É o amigo da Bruna, não brincam, mas pelo menos pareçem gostar um do outro. Ele faz-lhe festinhas e ela fala nele mesmo quando ele não está.
Fiquei espantada por o ver aqui na rua, já que a escola fica a cerca de 10 kilómetros daqui e pensei que ele morasse mais perto da escola...
Além de ser muito importante na formação de personalidade e do desenvolvimento social da criança, ter amigos faz bem. No entanto, fazer amigos é dificil para a Bruna -essa dificuldade é de resto uma das caracteristicas do autismo,a dificuldade de sociabilização- gosta de  olhar, acho até que desfruta da companhia dos outros meninos mas não organiza brincadeiras em conjunto com os outros, nem sequer diz olá aos outros...
Quando vim para casa começei a imaginar ( tenho uma mentalidade fértil) que podia convidar o Osmã a vir cá a casa para estar com a Bruna, convidar para ir á piscina mas esqueçi-me que a mãe dele tinha que aprovar esta amizade e confiar em mim para lhe trazer o filho... estimular o desenvolvimento da amizade entre as crianças e interferir positivamente nessa relação é uma tarefa para os pais. É necessário que os pais dêem aos filhos a oportunidade de passarem tempo com outras crianças e era isso que eu estava a preparar-me para fazer.
Acolher em casa ou passear com amigos da criança, receber visitas com filhos ou ir a um parque infantil podem ser boas maneiras de incitar a criança a comunicar, conheçer novos amigos.
Está comprovado que a criança que não tem oportunidade de brincar e com quem os pais raramente brincam sofre bloqueios e rupturas nos seus processos mentais...
Para a Bruna, é mesmo muito importante ter o Osmã, já que não tem irmãos nem primos e nem vizinhos com quem ela possa interagir, e esta interação é fundamental, não só de meninos autistas mas para todos os meninos, já que é através de brincadeira que se faz ao descobrirem a diferença entre ganhar e perder, certo e errado e passam a compreender o ponto de vista dos outros.
Os amigos de infancia são tão importantes que são até os que nos marcam mais, quem não se lembra com carinho especial dos amigos de infância?
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Insensibilidade á dor


Notei por estes dias que afinal a Bruna sente dor. Eu desconfiáva que não, mas, acabei de descobrir o contrário. Como tal fui pesquisar a insensibilidade á dor. Pouco descobri, há poucas entradas na internet sobre o assunto. Descobri que pode ser resultado de uma doença grave e  também muito típico de crianças portadoras do espectro do autismo, embora seja uma caracteristica pouco falada do espectro.
A wikipedia dá uma boa excplicação:

Insensibilidade á dor significa que o estimulo não foi percebido. O paciente não pode descrever a intensidade ou o tipo de dor.
O artigo foi revelador para mim.

Indiferença á dor significa que o paciente pode perceber o estímulo doloroso, mas falta uma resposta apropriada: não reagem ou recuam quando expostos á dor.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Um poema especial

Hoje quero partilhar um poema muito especial, dedicado á minha filhota, da escritora e amiga Cristina Pinheiro Moita do seu livro "Falua da Saudade" (editora Lua de Marfim) editado o ano passado.
No entanto, embora seja dedicado á Bruna, poderia ser dedicado a qualquer criança especial...
Na dedicatória do livro, Cristina Pinheiro Moita começa por dizer" (...)gostava de dedicar este meu livro a todas as crianças,e, em especial aquelas que sofrem ou já nesceram para sofrer, como a Bruna.
Assim como a Bruna há muitas meninas e meninos que trazem com eles problemas que são muito difíceis de ultrapassar que causam cansaço e noites sem dormir com muito sofrer, por crueldade da vida ou por falta de conhecimento,são muitas das vezes apontadas e descriminadas estas crianças e as famílias que acabam por viver rodeadas de medos que não deixam saudades"

 A uma amiga diferente

Tenho uma amiga,
muito pequenina
e muito engraçada.
Quando está zangada
agarra-me pelos cabelos
e não fico magoada.
-Ela é diferente!
não tem culpa
...de nada.
Quem a vê tão linda
diz que é uma criança agitada
que a mãe não a educou
e que é malcriada.
"Ser diferente"
nem sempre se vê
não está colado na cara!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Amigos de 4 patas.

"Quero ir á Sasha" foi a primeira coisa que a Bruna me disse hoje, quando chegou da escola. Sasha é a cadela labrador da tia, uma cadela ainda novinha e muito maluca, cada vez que vê a Bruna salta-lhe para cima e lambe-a toda e nós temos mesmo que a prender, porque ela de tanto querer brincar acaba por ser chata. É uma amiga da Bruna.
Outra amiga é a Lusa. A Lusa é a cadela cá de casa, tem um ano a mais que a Bruna e é bem mais calma que a Sasha. É uma cadela mais pachorrenta esperta e muito meiga.
Quando a Bruna nasceu e foi pela primeira vez a casa da avó, a cadela começou a cheirar a cheirar e andava desorientada á nossa volta, só descansou quando a deixamos cheirar a bebé ( diz-se que é bom deixar os nossos cães cheirarem os bebés para os conhecerem).
Agora quando a Bruna vai para a cama dormir, ela também se vai deitar ao fundo da cama. Quando a Bruna está agitada ela foge para debaixo das camas. Quando a Bruna anda a bater palminhas ( é uma mania) a cadela fica tão enervada que até se consegue vê-la a franzir os bigodes e começa a rosnar. Por vezes rosna e finge que lhe vai morder, investe para a Bruna como uma forma de a avisar, mas não lhe morde. O mais engraçado é ver a Bruna a provocar a Lusa, se a cadela está no sofá a Bruna começa a bater no sofá e chega-se atrás, bate no sofá e chega-se atrás e a cadela fica toda nervosa.
No fundo gostam uma da outra, e já se sabe, faz-lhe bem ter um animal em casa. Há estudos que revelam que as pessoas que têem cães são mais felizes.
No entanto, ainda não experimentei Cinoterapia ou terapia com cães. Também há estudos que revelam os benefícios desta terapia em crianças autistas. Cá em Portugal ainda não é muito usada, por cá a terapia com animais mais usada é mesmo Hipoterapia. Mas no Canadá e nos Estados Unidos já é muito usada.
Numa primeira fase as crianças são expostas ao cão e os médicos observam as suas reacções para saber se ela beneficia da terapia ou não, na fase posterior, a fase da terapia própriamente dita, envolve o cão a criança e o terapeuta. Dependendo da evolução do caso a há certos sítios que deixam a criança levar o cão treinado para casa para ser companheiro ( á semelhança dos cães guia).
Os benefícios passam por uma maior capacidade de socialização, a criança fica mais comunicativa mais tranquila pode melhorar também a coordenação motora.
É pena que nem a Lusa nem a Sasha estejam treinadas, de qualquer forma já é bom elas estarem presentes na vida da Bruna e quem sabe, um dia experimenta Cinoterapia...
 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Uma aventura em Sta Marta

Umh.....Umh...Umh estridente, foi assim que começou o meu dia.
Hoje a Bruna não foi á escola teve uma consulta de cardiologia no Hospital de Santa Marta em Lisboa, fomos saber o resultado de um exame de 24 horas que ela fez, e foi faze-lo porque me pareceu que o coração dela estava a bater muito depressa.
Assim que estancionei o carro começáram os Unhs, um barulhinho que a minha filhota faz de vez em quando, e -" Quero água". Os quero água dela servem para pedir água ás vezes, pedir comer e mais recentemente arranjou mais um significado que eu ainda não percebi qual. Dei-lhe água mas não quis não era sede, pensei que fosse fome entrei num café para lhe dar comer não quis. O que aconteçeu foi toda a gente se virar para ver o que se passava, tão alto eram os unhs da Bruna. Desisti levei-a para o hospital, no caminho á medida que iamos passando pelas pessoas iam-se virando. Entrei no hospital com ela sempre aos unhs, subi ao terçeiro piso, cheguei ao guichet, vá lá a senhora mandou-me entrar de imediato para junto dos consultórios, tal não eram os unhs da Bruna. Nunca tinha sido chamada tão rápidamente, passáram-me á frente de não sei quantas pessoas, a sala de espera estava a abarrotar.
Bem de alguma coisa serviram os unhs embora eu ache que a Bruna não estava muito bem disposta pelo menos não estava nos dias dela...
A consulta em si também foi rápida, está tudo bem com a Bruna, mas os medicamentos podem alterar o ritmo cardiaco ( fica de aviso a quem não souber). Viemo-nos embora. Na viagem para casa ocorreu-me, e se eu não tivesse carro e fosse obrigada a andar de transporte público? Nem quero imaginar como seria, a ter de andar com ela para traz e para a frente, possivelmente com ela aos gritos... realmente uma pessoa nunca pensa nestas coisas mas ainda bem que tenho carro!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

E se fosse consigo?

Encontrei na net um conjunto de premissas nas quais devemos pensar. Sobre como se devem sentir pessoas portadoras de autismo mas também, défice cognitivo ou quaisqueres problemas de conduta.
Imagine que enquanto criança era vitima de bullyng na escola e que os adultos constantemesnte falam baixinho nas suas costas.
Que as pessoas o agarram pelo braço e o levam, sem nunca lhe dizer para onde está a ir.
Que lhe fazem perguntas tolas do género, "Que cor é esta?" ou "Mostra-me o teu nariz" mesmo quando já tem 18 anos.
Que as suas tentativas de fazer algo são sempre interrompidas por pessoas que fazem a tarefa por si, sem o deixar tentar.
Que está doente não consegue pedir ajuda e ninguém se dá conta.
Imagine que ouve constantemente as pessoas a discutirem o que você consegue fazer ou não.
Imagine que já é adulto e que todos o tratam como uma criança.
Que as pessoas só esperam de si, condutas inapropriadas e que não pode tomar sequer a menor decisão pessoal.
Já imaginou? É assim que muitas vezes vivem estas pessoas. Dá que pensar não dá?

 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Abraços precisam-se!

Hoje quero falar das crises emotivas da minha princesa que tanto sofrimento provocam. Crises emotivas que não são o mesmo que birras, falo de crises de angustia e crises de ansiedade...
Quando a Bruna as começou a ter eu só tinha vontade de chorar de aflição, não sabia o que fazer como controlar a situação.
O que eu fazia era tentar acalmá-la com um pxxxxx (como fazemos quando queremos q alguém se cale, mas fazia-o arrastando a palavra) bem suave e tentáva abraçá-la, embora muitas vezes ela não me deixá-se faze-lo.
Nessas alturas ela chora descontroladamente, deita-se no chão ou no sofá (conforme onde está) flecte os braços e põem as mãos na boca. Fica com os musculos tão tensos e faz tanta força que eu não consigo tirar-lhe as mãos da boca por vezes no fim fica prostrada e muitas vezes quando se acalma procura um canto para ficar, o psicomotricista dela diz que é para se auto-punir porque ela própria tem noção que exagerou. Nessas alturas também é boa ideia tapá-la com um cobertor, para ela sentir um género de casulo.
Até há bem pouco tempo eu não conseguia destinguir uma crise de ansiedade de uma crise de angustia mas agora já sei e é fácil destinguir. Uma crise de ansiedade começa com um mal estar crescente e uma crise de angustia começa repentinamente e sem motivo aparente. Assim me explicou o João , que me ensinou que o melhor é abraçar com força a criança quando começa uma crise porque assim elas teem noção do seu próprio corpo e acalma. Afinal instintivamente já era uma coisa que eu fazia.Os autistas gostam do estimulo de compressão a sensação agrádavel de serem abraçados, existem pesquisas que indicam isso mesmo, indicam que estes meninos tendem a preferir estimulos sensoriais, como o toque ( até para os bebés o toque é extremamente importante) o gosto ou o cheiro a estimulos mais distantes como a audição e a visão.
Para termos uma ideia nos E.U.A. existem clinicas que trabalham com máquinas de compressão com crianças autistas mas também hiperactivas e eu até já encontrei á venda na net coletes que se enchem de ar e fazem a tal compressão (não tenho ideia que resulte mas é mais uma invenção).
Portanto as crises de angustia não se conseguem evitar mas as de ansiedade sim e quando sinto que a Bruna vai ter uma normalmente tiro-a do sitio onde está, se estiver em casa vou dar uma volta á rua se for hora do banho levo-a para a banheira ( a água quentinha acalma-a), geralmente tento que esteja ocupada para não se aborrecer, não a levo para ambientes com muita gente. OK, o que eu quero dizer é que evito as crises.
Depois temos as birras mas essas não valorizo que é o melhor, faz de conta que nem estou a ouvir...
Estes comportamentos são dos mais dificeis de lidar. Mas lá está, nenhum comportamento é eterno (é o que me vale ihihihihi)!

sábado, 3 de novembro de 2012

Abaixo a Frustração


Os fins de semana são sempre uma éspecie de dor de cabeça para mim, não há escola quebra-se a rotina semanal e geralmente não sei como ocupar o tempo da Bruna, apesar de saber um monte de coisas que posso fazer com ela não consigo mante-la conçentrada para levar uma tarefa até ao fim.
Ainda assim o dia de hoje não correu mal, a seguir ao almoço entreteu-se a rasgar revistas e a sala mais parecia um mar de papel mas não fez mal esteve entretida ( e foi treinando a motricidade fina).
Ao final da tarde foi á Hidroterapia que no fundo é mais uma aula de natação adaptada,deveria ter sido ontem mas a aula foi adiada para hoje.
Fiquei sentada a ver tudo cá de cima. Geralmente o Gil ( assim se chama o terapeuta) manda-a dar ás pernas e ela não dá, manda-a dar aos braços e ela não dá, põem-lhe o chouriço por baixo e ela começa a nadar mas assim que sente que já tem pé atira o chouriço para o lado... ao contrário dos outros anos ela não está a usar as braçadeiras  talvez por isso não esteja a resultar tão bem...mas são sempre aulas atribuladas que imagino que resulte em frustração para ele.
A Bruna começou a ter Hidroterapia assim que foi diagnosticada primeiro com o Zé ,no ano seguinte com a Maria João e penso que lhe fez bem mudar de teraeuta porque ela começou a responder melhor aos pedidos. Não sei se foi pela sensibilidade feminina ou mesmo pela formação que no caso da João é de Psicomotricidade. E ainda bem que a Bruna não é uma criança que não se adpata bem aos técnicos, este ano está com o Gil que tem formação em Educação Fisica,( vamos ver como corre se for caso disso volta para a João quando ela voltar da licença de parto).
Enquanto decorria a aula começei a lembrar-me do inicio. Quando a inscrevi na Hidroterapia inscrevi-nos para aulas de Natação em grupo. Estava ansiosa por ver melhoras na Bruna, então pensei que quanto mais terapia fizesse melhor ia ser. A natação de grupo era uma aula dada por um técnico e na água ficava o adulto com a criança a tentar fazer o que nos mándavam. Eu nunca conseguia fazer com a Bruna nada do que me mandavam era frustrante. De tão chateada que ficava mudava o tom de voz para um tom desesperado, o que só fazia pior. Enquanto isso ainda tinha que lidar com o olhar desaprovador das mães dos outros meninos, um olhar que por vezes é mesmo impiedoso. Ai que frustração...
Depois de muito pensar acabei por desistir dessas aulas, em boa verdade não andava lá a fazer nada senão entrar em frustração e possivelmente stressar a criança, aprendi que há coisas que temos que ponderar bem se vale a pena o esforço. Fiquei só com as aulas de hidroterapia, que lhe fazem muito bem, para além de estar a aprender a nadar gasta a energia que está a mais, geralmente chega a casa toma banho, janta e mais um bocadinho cai de cansaço e vai para a cama.
A aula de hoje afinal até correu bem apesar dela ter engulido muitos pirulitos, assim mo disse o Gil que me informou que durante a aula disse á Bruna:
- Anda comigo.
Ao que ela respondeu a cantar
- Anda comigo ver os aviões...
Lembrou-se da musica...

 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Olá Olá, vamos-nos apresentando

 

Como pode ver no meu perfil, isto se foi curioso e o leu, sou a Edite tenho uma filhota chamada Bruna. A Bruna tem 7 anos e uma das caracteristicas dela é ser portadora de Autismo.

Neste blog vou me aventurar a partilhar um pouco do nosso dia a dia e como lidamos com este problema

 
Começando pelo principio, começei por me aperceber algumas diferenças na Bruna muito antes  de ser diagnosticada. A Bruna sentou se mais tarde, gatinhou mais tarde e até para começar a andar foi mais tarde e a fala ainda é um problema hoje em dia, eu queria acreditar que cada criança tinha o seu próprio tempo para fazer as coisas embora lá no fundo senti-se que algo estava errado.O  diagnóstico só chegou aos 3 anos e meio. No dia 9 de Janeiro de 2009 numa consulta de Desenvolvimento do Hospital D. Estefania deram-me uma das piores noticias que um pai ou uma mãe podem receber, as parcas palavras duras "A sua filha é Autista" as lágrimas saltaram-me dos olhos e naquele momento o mundo pareceu cair-me em cima. Uma das coisas que um colega me disse que mais me marcou na altura foi "O que para nós está guardado, por nós ninguem o passa" foi a primeira vez que de alguma forma me disseram tens de aceitar.
A aceitação é um longo processo, mas quando deixamos o desespero para trás (fase pela qual também passei e nem me quero lembrar)  encaramos a vida com mais paz interior.
A minha Bruna é o meu anjo um anjinho que por vezes pareçe um diabinho mas é o meu grande amor. É terrivel faz muita asneira, é teimosa está constantemente a ter atitudes de oposição por vezes é agressiva mas tem o olhar mais doçe do mundo de olhos vivos cor de avelâ, quando nos olha nos olhos e sorri esqueço-me de tudo o resto e quando me abraça o mundo pára são as suas idiosincrasias afinal cada um tem as suas não é verdade?