BananinhaAzul porque um dia perguntei a cor de uma banana á minha filha e ela respondeu azul. Embora também pudesse ter este nome porque a cor azul é repetidamente relacionada com Autismo.
Com este blog passo a fazer uma das coisas que mais gosto de fazer que é escrever e escrevo sobre uma temática em que realmente tenho alguma coisa para dizer... Goste!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

cerci´s verdades escondidas

No post de hoje venho defender as CERCIS ou Cooperativas de Educação Reabilitação para Crianças Inadaptadas, que pela minha experiência noto que são mal vistas por alguns pais.
A minha Bruna frequenta uma CERCI. Após a conclusão dos 3 anos normais da pré-primária uma questão se colocou, reté-la na pré por mais um ano, deixá-la seguir para a primária ou por fim ir para uma CERCI. Esta última hipótese foi-me colocada pelos médicos da Bruna que se puseram todos ( Equipa do Desenvolvimento, Neurologia e Pedopsiquiatria) em acordo que seria benéfico para ela.  A primeira médica a falar foi a do Desenvolvimento e eu quando ouvi a hipótese não queria acreditar, pareceu-me quase como uma ofensa. Eu tinha uma ideia errada do que é uma CERCI. Eu pensava em instituições totais, com tudo de mau que pode acarretar  a aplicação opressiva ou corrupta do sistema de controles sociais médicos como chegou a acontecer com os abusos com técnicas cirúrgicas como a lobotomia ou o uso de drogas poderosas como o LSD e a negligência e abusos generalizados de pacientes vulneráveis, é claro que isto é uma realidade distante mais perto é o que se observou na Casa Pia com a alegada experiência de chumbar os dentes ás crianças (mesmo as que não precisavam) para testar os problemas de concentração que daí poderiam ocorrer. São estas realidades que deixam uma profunda marca negativa nas instituições. Mas nem todas são iguais.
Os médicos acabaram por me explicar que era melhor para a Bruna devido ás características dela. É claro, que a última decisão foi minha, e não foi uma decisão fácil.
Mas havia outra coisa que me impelia a aceitar esta hipótese. Eu não estava nada contente com o agrupamento em que a Bruna estava inserida, enquanto andou na pré-primária a Bruna ia receber as terapias a uma outra escola onde funcionava uma Unidade de Ensino Estruturado e a dada altura uma pessoa do agrupamento levantou-me suspeitas quanto ao trabalho com a Bruna. Sendo que a Bruna não faz uma comunicação verbal suficiente ( pouco mais que ecolália), por ela eu  nunca iria saber do que realmente se passava dentro da escola...
Penso que a integração ou inclusão infelizmente, é em alguns sítios apenas de boca e pouco mais que isso! Há professores que simplesmente não estão preparados para educar crianças diferentes!
É claro que defendo que a criança ande numa turma regular, numa escola, mas não havendo possibilidade disso, é bom pesar os prós e os contras das duas vias de ensino...
Assim sendo a Bruna foi para a CERCI, uma escola com nome de instituição, onde existem meninos com diferentes tipos de incapacidade e como tal aprendem uns com os outros a superar as suas dificuldades, o acompanhamento psicológico passa pela ajuda dos colegas e não só do psicólogo. A auto-imagem é muito importante, é preciso tratar as crianças como normais. As expectativas positivas têm muita importância para as pessoas, ali eu sinto que tudo isto é respeitado. Ás vezes os adultos são os culpados quando falam de coitadinho para a criança diferente o coitadinho não é capaz. Pois na CERCI não há coitadinhos!
Outra coisa que tenho de falar é da equipa que é transdisciplinar portanto formados em cada área de intervenção e como tal mais capacitados. Dos técnicos aos auxiliares ás educadoras são todos extraordinários na forma de lidar com os meninos, noto isso não só com a Bruna, mas com os outros também.Existe um vinculo entre a criança e o professor pelo que facilita a aprendizagem, já não falando que o trabalho é de um para um que é mais eficaz para crianças com Perturbações do Espectro do Autismo.
Afinal nem todas as instituições são um bicho de sete cabeças!
 

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