BananinhaAzul porque um dia perguntei a cor de uma banana á minha filha e ela respondeu azul. Embora também pudesse ter este nome porque a cor azul é repetidamente relacionada com Autismo.
Com este blog passo a fazer uma das coisas que mais gosto de fazer que é escrever e escrevo sobre uma temática em que realmente tenho alguma coisa para dizer... Goste!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Ano Novo, Vida Nova..


"Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos"

Luis de Camões
 


Com o ano a acabar, é normal fazermos uma lista de pedidos para o ano que se adivinha. Eu não sou excepção, e como tal aqui fica a minha:

  1. Quero que a Bruna largue as fraldas ( já ando à tempo de mais nos treinos para ir á casa de banho sósinha)
  2. Quero que a Bruna começe a despir-se e vestir-se sósinha (já se vai despindo com pequenas ajudas, preciso agora de consolidar o que já sabe e investir no vestir-se)
  3. Quero que a Bruna finalmente começe a comer sósinha ( ela não tem uma boa motricidade fina e por isso é dificil comer sósinha, mas, estou prestes a comprar uma pequena ajuda para ela poder agarrar nos talheres)
  4. Melhorar a atenção da Bruna ( está difícil )
  5. Melhorar a linguagem de maneira que qualquer um a entenda ( eu entendo mesmo quando ela não fala mas eu sou mãe, não faço nada demais)
  6. Quero que ela começe a conheçer as letras ( este Natal ofereci-lhe um jogo multimédia de letras, vamos tentar tirar partido dele)
  7. Acabar de vez com a agressividade ( ás vezes está melhor outras vezes pareçe que vareia)

Bom se calhar estou a pedir demasiado, mas pedir não custa. E sendo que são doze passas que temos que comer e pedir um desejo por cada uma e eu só estou a pedir  sete coisinhas para a minha filhota...
Para mim os desejos são mais simples:

  1. Emagreçer ( tenho que perder uns bons quilitos, que ganhei em 2012)
  2. Melhorar a alimentação ( uma alimentação com mais grelhados e legumes era o ideal)
  3. Fazer exercício Fisico com mais regularidade ( o que custa é começar, depois é quase como um vicio e até tenho um bom sitio para fazer jogging que sabe tão bem)
  4. Arranjar trabalho ( reparem que já peço trabalho e não emprego. Aqui para nós que ninguém nos ouve, eu até digo sempre que tenho menos escolaridade do que na realidade tenho, isto se quiser arranjar alguma coisa. Ainda assim está dificil).
  5. Terminar uma história que estou a escrever  (já várias vezes começei e pus de lado, só consigo escrever quando me dá inspiração. Escrever com técnica não é para mim)
  6. Sair de casa mais vezes ( este ano pouco saí, tenho que sair mais vezes)
  7. Desejo ter um pouco de mais paciência, especialmente para a Bruna ( nunca é demais)
  8. Quero ir de férias ( se faz favor, se não for pedir muito;) )

    Este ano não peço para deixar de fumar, porque este ano, tcharannn, consegui deixar o vício, já lá vão quatro meses...  espero continuar assim.
Os meus desejos para a sociedade em geral:

  1. Desejo que os portadores de deficiências no geral e autismo em particular deixem de ser marginalizados
  2. Desejo que pelo mundo fora sejam aprovadas mais leis de apoio a autistas, como aconteçeu ontem no Brasil.
  3. Desejo que a fome não entre nas nossas casas, em Portugal especialmente porque já há cá muita fome devido á crise económica e falta de emprego.
  4. Desejo que o Passos Coelho nos dê umas tréguas
  5. Desejo uma maior justiça social, parta todos

Bom já desejei muitas coisas, para o ano venho espreitar esta lista para recuperar o que não conseguir realizar, que espero serem poucas coisas.
Para todos resta-me desejar um próspero ano novo a todos os que se entretiveram a ler este post


 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Técnicas de trabalho de um para um

Eu não sei o que hei-de fazer para conseguir trabalhar com a Bruna. Tirando o que lhe tento ensinar, incluindo o ensino nas tarefas do dia a dia, não consigo. Ela tem uma carrada de jogos didáticos, ele é cores, ele é letras, ele é jogos de semelhantes e de opostos mas não serve de muito, sento-me com ela mas a Bruna não colabora e eu não lhe consigo prender a atenção. Eu sei que não sou professora de educação especial, mas, é importante os pais também fazerem este trabalho, de um para um em casa. Hoje, fui procurar técnicas para trabalhar, com ela, em casa. Não encontrei nada direccionado para os pais, mas encontrei algumas técnicas para usar em sala de aula para um ensino inclusivo de crianças portadoras de Hiperactividade com Défice de Atenção no site Wordpress.com.
 Adaptei os métodos para crianças autistas:


Adaptações no ambiente de aprendizagem

  • A criança deve estar sentada num canto, onde não pode ter distrações
  • O ambiente que a rodeia deve ser organizado.
  • A rotina diária deve ser bem estruturada, as tarefas têm de ser realizadas de forma rotineira.
  • As regras devem ser bem claras e o seu cumprimento exigido.

Adaptações para obter atenção

  • Empregar estratégias multi-sensoriais
  • Projectar a voz.
  • Utilizar material visual e colorido
  • Usar sempre que possivel o computador, que pode ser uma ferramenta apelativa

Adaptações no Ritmo de Trabalho

  • Ajustar o ritmo da "aula" à compreensão da criança.
  • Alternar actividades.
  • Reduzir a quantidade e extensão do trabalho, adaptando ao tempo e ao nível de tolerancia da criança.
  • Espaçar pequenos periodos de trabalho com paragens ou mudança de tarefas.
  • Estabelecer límites para terminar as tarefas.
  • Use bastante reforço positivo. Para saber mais sobre reforço positivo pode ler este post .

Adaptações nos Métodos de Ensino

  • Estabeleça tarefas de conclusão rápida(inicialmente), começando a aumentar gradualmente a complexidade e duração das mesmas.
  • Compartimentar as tarefas complexas em tarefas mais pequenas e simples.
  • Exemplifique sempre o que se pretende.
  • Dê pistas à criança em como realizar o trabalho
  • Evite pressionar a criança para esta se despachar com a tarefa.
  • Incentive a criança
  • Evite dar atenção a comportamentos inadequados, iniciados com a intenção de medir forças consigo.


Bom, espero que estas técnicas de trabalho de um para um ajudem não só a mim mas a todos que necessitem delas...

sábado, 22 de dezembro de 2012

Diagnóstico Precoce e sua importancia

Pouco contacto visual, baixa interação, rejeição a toques, comportamentos repetitivo, isolamento e falta de linguagem oral, estes são os sinais mais comuns em crianças que sofrem de autismo. São estes os sinais a que os pais devem estar atentos.
O diagnóstico não deve ser feito para rotular a criança, mas para considerar a possibilidade de uma mudança de estrutura de acordo com o referencial psicanalítico.
Há estudos que apontam para melhores resultados alcançados quando o tratamento é iniciado antes dos 3 anos, portanto quanto mais cedo a criança autista começar a psicoterapia, melhor será a evolução do caso.
A minha filha Bruna só foi diagnosticada aos 3 anos, por falta de conhecimento porque eu estava longe de acreditar que a minha filha tinha algum problema. Embora eu já encontrásse sinais disso, neguei sempre até ter o diagnóstico. Se eu tivesse procurado ajuda mais cedo provávelmente a Bruna já tinha adquirido mais capacidades, por vezes sinto-me um pouco culpada.
Portanto a falta de conhecimento do desenvolvimento psíquico, fisico-motor e afectivo-social da criança leva a tardar o diagnóstico, o que normalmente ocorre é que as pessoas só começam a preocupar-se com a criança quando o atraso na fala é significante, assim acaba por se perder muito tempo no sentido de uma intervenção precoce.
Mas não só a idade é um factor importante. É determinante o tipo de tratamento e a frequência dos atendimentos à criança e aos pais.
Nunca me esqueço que vários médicos  observaram a Bruna e nunca me chamaram a atenção para a realidade do autismo, portanto é uma falta de conhecimento não só dos pais ,mas ,na minha opinião, também falta de conhecimento da parte dos profissionais da saúde.
Em França uma equipa de psicólogos e pedo-psiquiatras lançou uma pesquisa, Preaut, para detectar sinais indicativos de autismo e tratar as crianças precocemente. Estão associados 600 médicos para examinar bebes nos seus primeiros dois anos de vida.
A pesquisa Preaut já chegou ao Brasil, desde 2010 o Instituto da Familia promove a pesquisa em terras de Vera Cruz.
Também no Brasil, o CORA Centro de Otimização Reabilitação do Autista, da região de Leopoldina no norte do Rio de Janeiro tem um programa em que visita clinicas, consultórios e hospitais pediátricos informando os médicos de como identificar sinais de autismo precocemente. Utilizam o video informativo que pode ver aqui.
Ficava feliz que em Portugal houvessem destes programas e pesquisas, mas, a verdade é que em Portugal não há nada... Portanto é quase de única e exclusiva responsabilidade dos país identificarem possiveis alterações do comportamento dos bebes...
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Agressividade e auto-agressividade, 2 pedras no sapato...

A agressividade é mais uma caracteristica do autismo. Lembro-me que desde muito pequena, que a Bruna chegava ao pé de outros meninos e dáva-lhes palmadas, parecia que era a forma que ela tinha para começar uma interacção com eles. É normal, dentro da anormalidade leia-se, por ainda não tinha linguagem e pensamento amadurecido. Aconteçe especialmente porque a criança se  encontra em desenvolvimento e a imaturidade do sistema nervoso e emocional faz com que a criança tenha mais manifestações corporais que verbais e está a ter problemas para satisfazer as suas necessidades.  A agressividade foi aumentando, passou a dar dentadas e a ter também comportamentos de auto-agressão. Os ataques de raiva e agressividade, por vezes, parecia que vinham do nada, mas não existe nenhum comportamento vindo do nada, o que acontecia é que eu ainda não tinha o olho treinado para perceber o motivo que levava áquela reacção. Era uma situação cada vez mais insustentável, os puxões de cabelo que a minha filha nos dava e as mordidelas eram cada vez mais furiosas, parecia que nos ia arrancar pedaços de carne e os nossos cabelos ficávam-lhe aos montes nas mãos,e era diáriamente mas ela não fazia por mal a agressividade dos meninos autistas não tem o propósito de magoar, não tem nada a ver com o amor que eles sentem, neste caso, o amor que ela sente por mim. Nessa altura eu não podia saber, que não me podia mostrar alterada com aquele comportamento.





Só quando consultei uma psicóloga, ela me informou que deveria responder de forma pacífica, calma e amorosa, uma coisa muito dificil depois de alguém nos magoar a sério, ainda que fosse a minha filha, mas com o tempo acabei por conseguir. Outra coisa que a psicóloga ensinou foi a prever esses momentos e evitá-los, investigando as variáveis que as rodeiam, como em que  momento ocorre, com que pessoa, em qual situação, etc... Quando soubermos o porquê da criança estar sobrecarregada, podemos aplicar estratégias mais uteis para ajudá-las. Outras técnicas que a psicóloga nos ensinou foi a dar algo duro, à Bruna, para ela morder nessas alturas, tal como uma bola de borracha, desta forma ela libertava a tensão acumulada , depois de nos morder ou puxar os cabelos, a Bruna parecia ficar bem instantanemante. Ao libertar a energia acumulada, a criança com este comportamento consegue-se organizar, por isso dar uma bola ou outro objecto que ela possa morder (nada que se parta e que ela acabe por ingerir) é o ideal. Outra técnica, esta já para dentadas que não conseguissemos evitar era, levar o dedo polegar e indicador  em forma de pinça num lado e outro da linha do maxilar da Bruna, ela abria a boca imediatamente.
Foi depois de começarmos a aplicar estas técnicas que conseguimos respirar de alivio. Embora a agressividade dela não tenha ainda acabado hoje em dia, não tem comparação possivel. Já não morde e os puxões de cabelo são rarissímos, aconteçem sobretudo quando vou a conduzir e não lhe vou a prestar atenção, ela puxa embora devagar, e eu penso que é como quem diz "fala comigo". Com a minha mãe, aconteçe mais vezes a Bruna lhe puxar o cabelo, mas a minha mãe ainda não consegue dar uma resposta calma á situação.
Quanto á auto-agressão, foi mais dificil de controlar. Os episódios aconteciam sobretudo em momentos de frustração, mas suponho que também resultávam de crises epilépticas porque desde que controlamos a epilepsia as crises de auto-agressão também diminuiram. Chegou a ter peladas na cabeça de puxar os próprios cabelos e mordia-se nos braços e chegava a fazer sangue, era uma coisa assustadora, mas como a auto-agressão faz a criança sentir um prazer imediato e intenso ela ficava bem no fim de se morder. Há ainda crianças que se auto-agridem para chamar a atenção dos adultos ou para evistar e escapar a tarefas, não era o caso da Bruna. Penso que a medicação que ela toma também ajudou, mas não foi o fundamental.
 Felizmente já não se auto-agride e como já disse quase não nos agride também, depois de ter lidado com esses comportamentos diáriamente, hoje em dia sinto-me feliz por quase já ter controlado todos estes maus comportamentos.
 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Reforço Positivo

O facto de a Bruna cuspir os remédios todos e eu últimamente resolver a situação com chocolates, dá o mote para o post de hoje.
É o chamado reforço positivo, uma ótima estratégia para uma melhor comunicação com crianças não só autistas, mas especialmente... É usado portanto para elogiar quando a criança tem o comportamento pretendido. É também uma boa forma de fazer a criança abandonar um mau comportamento.
Para chegarmos a determinado comportamento desejado nós pais podemos reagir com uma abordagem positiva ou negativa.
A abordagem positiva é por exemplo: ignorarmos determinado comportamento ( algo que sou completamente fantástica a fazer principalemente quando os comportamentos da Bruna são de desafio, ultimamente até eu me espanto com o meu auto- controlo). Ignorar pode ser uma boa medida em algumas situações mas noutras não, por exemplo não podemos aceitar comportamentos que provoquem riscos para eles e para outros.
Há depois o reforço negativo , que é por exemplo a hipótese de proibir a criança de comer algo que ela goste muito, é portanto retirar um estimulo positivo para ela.
É comum haver um certo engano quanto ao que é o reforço negativo e punição, como já referi o reforço negativo é retirar um estimulo, enquanto que, punição é um estimulo que reduz a probabilidade do mau comportamento.





O reforço positivo é utilizado em vários métodos educativos, o mais óbvio é o método ABA, mas não pode nunca ser substituto de actividades apropriadas a cada criança.
A Bruna é uma menina que precisa de muito reforço positivo pelo que qualquer coisas que ela faça bem, eu começo logo: " Muito bem" , "A Bruna é linda e sabe..." por aí.
As recompensas que devem ser usadas são a atenção, o encorajamento eo elogio que é o ideal por ser muito forte e estimulante é a aprovação das suas atitudes pelos pais.
Existem outras formas de recompensar a criança: abraços, beijos ,caricias ou ainda actividades que são do interesse da criança. Os doçes vêm em ultimo lugar é uma recompensa que não deve ser muito usada. Eu uso os chocolates para dar os remédios á Bruna porque já esgotei todas as possibilidades, temo agora esta estratégia que não considero muito boa e tenho que a substituir rápidamente por outra melhor. Até lá lá se vão os chocolates que o avô lhe trouxe da Suiça, vai ser uma razia...
Enfim termino com pequenos conselhos: na aplicação destes métodos seja constante, paciente e consistente, determine qual o comportamento a trabalhar e seja objectivo nas suas ordens e que sejam simples...




 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Ensinando-Portage-Desenvolvimento Motor

Mais do que a capacidade de andar o Desenvolvimento Motor compreende capacidades de: distinguir detalhes em situações móveis ou imóveis, habilidade de separar um objecto do que está à sua volta, habilidade de medir distâncias relativas a si mesmo e a habilidade de usar  a visão e as mãos para acompanhar e interromper a observação de um objecto. É muito frequente em crianças autistas as dificuldades motoras, e devem ser acompanhadas por profissionais como psicomotricistas ou fisioterapeutas. Entretanto podemos ajudar esse desenvolvimento com os exercícios que se seguem(Modelo Portage):



2-3anos
Título: Faz bolas de barro,massa ou plasticina

Como Fazer

  • Utilize massa de farinha ou faça-a você.
  • Corte um bocadinho de barro e mostre à criança como enrolar uma bola entre as palmas das mãos ou sobre a mesa com a palma da mão.
  • Faça-lhe um ninho e mande-a pôr bolas enroladas dentro dele a fingir que são ovos.
  • Deixe a criança ajudá-la a enrolar bolinhos de farinha em forma de bola e depois achate-os com o fundo de um copo.
  • Utilize areia e água fora de casa, para fazer bolas redondas. "Coza-as ao sol.
 
 
 
2-3anos
Título:Dá um pontapé numa bola grande e imóvel
 
 
Como Fazer:
 
 
  • Mostre à criança o que tem de fazer, andando para uma bola e dando você um pontapé. Depois faça com que a criança imite.
  • Ponha-se de pé a alguns centimetros dela, dê um pontapé ou role uma bola na direcção dela para que ela a devolva dando um pontapé.
  • Guie fisicamente a criança no acto de dar um pontapé. Mova-lhe a perna segurando no joelho e no tornozelo. Deixe-a equilibrar-se segurando-se a uma cadeira.
  • Exemplifique o movimento de dar pontapés várias vezes e peça-lhe para a imitar. Elogie-a quando o fizer.
  • Pratique o dar pontapés a outros objectos-balde de plástico, almofada, etc...
  • Cole um peso ou saco de feijões a uma bola para que ela role de forma irregular quando a criança lhe der pontapés.
 
 
2-3anos
Título:Atira uma bola ao adulto que está imóvel a 1.5m de distância
 
 
Como Fazer:
 
  • Começe por se sentar a frente da criança rolando a bola até ela, depois atire aplauda e reforçe.
  • Faça um jogo com uma bóia de praia ou cesto grande e saco de feijão ou bola tentando atirar a bola ou saco de feijões para dentro da bóia ou do cesto.
  • Sente-se a uma distância apróximada de 0.5m da criança. Atire ou role a bola para ela ou coloque-a nas suas mãos. Diga-lhe para atirar a bola para si. Mantenha-se perto dela assegurando-se que as suas mãos estão perto das dela de modo a facilitar o apanhar. Elogie o seu comportamento. Repita o procedimento muitas vezes e vá aumentando gradualmente a distância.
  • Sente-se atrás da criança, pegue-lhe em cada braço enquanto ela segura a bola e oriente o seu lançamento da bola. Elogie e gratifique a criança. Retire gradualmente a ajuda conforme ela for adquirindo a técnica.
  • Use um saco de feijão, uma bola de espuma ou de borracha ou uma bola de plástico grande e ponha-se de pé à distância de 1 metro da criança.Encorage-a a atirar-lhe a bola. Elogie a melhoria da pontaria.
  • Use um grande anel de espuma ou cesto de papéis para a criança meter a bola. Faça com que o resto da família participe também.
 
    A ajuda dos pais nestes execicios de melhora do desenvolvimento é muito importante mas se seu filho apresenta alguns dos aspectos abaixo procure a orientação de um profissional especializado em crianças.

    1. Tem dificuldade em atingir ou manter equilíbrio
    2. Parece desajeitado
    3. Não consegue conduzir bem o corpo em movimento
    4. Parece desajeitado em situações que requerem coordenação
    5. Não distingue prontamente direita de esquerda
    6. Troca letras e números com freqüência
    7. Tem dificuldades de fazer alterações no movimento
    8. Tem dificuldade de fazer combinações de movimentos simples
    9. Colide com objetos e outras pessoas
    10. Tende a ser propenso a acidentes
    11. Tem coordenação olho-mão insuficiente
    12. A aparência geral é pobre
    13. É desatento
    14. Tem dificuldades de se comunicar
    15. Postura corporal pobre
    16. Tem dificuldades de lidar com escadas

     Para redigir o post de hoje usei alguma informação, nomeadamente, os 16 itens de possiveis dificuldades motoras, do blog  "Superando o Autismo".

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ensinando-Portage- Sociabilização e Autonomia

Conforme prometi no ultimo post hoje vou postar as fichas de trabalho do Modelo Portage de  autonomia e sociabilização.
As fichas de hoje são especialmente para crianças de palmo e meio até aos 3 anos.
Começo pela Sociabilização:


0-1 anos
Título: Abraça, faz festinhas e beija as pessoas conhecidas

Como Fazer
  • Mostre afecto como recompensa por um bom comportamento
  • Demonstre afecto quando a criança a procura para que lhe dê mimos e atenção
  • Se a criança tem na cama um boneco favorito mostre como abraçalo e fazer-lhe festinhas
  • Quando a criança estiver para se deitar ou sair, mostre-lhe como abraçar e beijar os outros membros da familia. Depois diga " Dá um beijinho de boa noite ao papá " ou " Dá um beijinho de adeus ao mano". Encorage-a a imitar. Reforce-a com abraços e beijinhos

0-1 anos
Título: Quando brinca imita os movimentos de outra criança

Como Fazer
  • Peça a outra criança que faça uma actividade, por exempo empurrar carrinhos, construir uma torre com cubos, etc... de modo a levar a sua criança a imitá-la. Certefique-se que há vários objectos iguais
  • Peça à outra criança que passe debaixo de uma cadeira gatinhando, ou ponha uma caixa na cabeça. Encoraje a sua criança a imitar
  • Sente as duas crianças ao lado uma da outra. Começe por pedir que faça movimentos que ela consegue fazer bem, tais como "adeus", "bichinha gata", etc. Depois peça novos movimentos como tocar no cimo da cabeça, tocar nos dedos dos pés,dobrar-se e tocar com a cabeça no chão como se preparasse para dar uma cambalhota e andar à roda. Estimule elogiando.
  • Faça rodas com vários movimentos com outras duas crianças.

1-2 anos
Título: Explora activamente o seu meio ambiente

Como Fazer
  • Quando visitar a casa de qualquer pessoa mostre-a à criança e explique onde estão as coisas, diga "Aqui é onde vamos comer", " Brinca com os teus brinquedos aqui".
  • Passeie à volta do quarteirão ou jardim. Pare para olhar e explicar o que encontra à sua volta.
  • Peça à criança para lhe ir buscar coisas. Diga, por exemplo " Vai à casa de banho e traz-me a escova do cabelo".



Bom, aqui já ficam várias actividades que pode desenvolver com o seu pequenino para estimular a sociabilização. Passemos agora para as fichas de Autonomia:


1-2 anos
Título: Indica a necessidade de ir à casa de banho por gestos ou palavras


Como Fazer
  • Use as mesmas palavras sempre que a criança vai, ou vê outros a irem à casa de banho. Quando ela começar a dizer as palavras certas elogie-a e leve-a imediatamente à casa de banho.
  • Tire-lhe as fraldas, durante o dia.
  • Elogie-a sempre que ela der sinal que quer ir à casa de banho. Ignore qualquer acidente que aconteça. Esteja atento às expressões da criança ( tocar-se, inquietação) que possam ser indicadoras de que ela quer ir à casa de banho. Faca-lhe elogios, diga-lhe as palavras associadas à casa de banho e leve-a lá imediatamente.
  • Peça aos membros da família que avisem quando vão à casa de banho utilizando as mesmas palavras que a criança já conheçe.


2-3 anos
Título:Pendura um casaco num cabide colocado à sua altura

Como Fazer
  • Cosa uma corrente de metal para fazer de presilha na parte interior do colarinho do casaco dea criança. Faça com que ela o pendure num  cabide a que possa chegar.
  • Pratique, pendurando no cabide asas de panelas. Começe com uma presilha grande no casacoe gradualmente vá reduzindo o tamanho até chegar ao tamanho normal.
  • Pratique esta actividade no momento oportuno, quando a criança entra em casa com o casaco vestido. Faça com que ela o pendure depois de o despir.
  • Ponha o nome da criança. ou um boneco, no cabide, para que ela saiba qual é o lugar em que deve pendurar o casaco.


Por hoje é tudo. As fichas de Desenvolvimento Motor ficam para o próximo post.
Até lá...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ensinando - Portage- Cognição

Alguns país podem não saber o que é o Modelo Portage e portanto passo a explicar.
É um programa de educação precoce destinado a pais, é um sistema de ajuda à educação de crianças com atrasos do desenvolvimento, seja a nível domiciliário ( os técnicos deslocam-se ao ambiente doméstico dos pais e das crianças), seja a nível de contextos educativos. Surgiu no final dos anos 60 nos EUA; foi depois introduzido no Reino Unido, em 1976 e nos anos 80 chegou a Portugal e também ao Brasil .Contempla 6 áreas de desenvolvimento: Estimulação do Bebé; Socialização; Linguagem; Autonomia; Desenvolvimento Motor e Cognição.
Bom, mas não me vou alargar mais em relação ao método. Nunca tive a oportunidade de usufruir do Portage mas tive acesso a algumas fichas de trabalho que explicam como ensinar determinadas tarefas aos nossos meninos e é isso que pretendo partilhar com o carissimo leitor.

Cognição

1-2 anos
Título: A pedido, constrói uma torre de três cubos

Como fazer:

  • Começe com cubos maiores 5 a 7cm. Exemplifique lentamente em frente da criança como se constrói e vá dizendo "Primeiro este, a seguir este, e agora este". Dê-lhe então os cubos e peça-lhe para fazer uma torre como a sua. Recompense os progressos com elogios e festas.
  • Se for necessária ajuda, guie a mão da criança. Vá reduzindo gradualmente a ajuda física à medida que ela vai sendo bem sucedida.
  • Dê uma pista à criança, apontando onde é que ela deve colocar cada cubo. Recompense-a sempre que ela é bem sucedida.
  • Começe com seis cubos. Construa uma torre com três cubos, enquanto a criança constrói outra em simultâneo. Deixe-a imitar cada um dos seus movimentos á medida que vai fazendo a torre. Elogie- a enquanto ela vai imitando, colocando um cubo de cada vez.
  • Recompense a criança se ela construir uma torre com três cubos, a pedido, sem o modelo
  • Deixe a criança desmanchar a torre. Funciona como reforço positivo.
1-2 anos
Título: Junta objectos semelhantes
Como fazer:
  • Começe com quatro objectos familiares à criança ( duas bolas, duas bonecas, etc...) Pegue numa bola e pergunte à criança " Onde está a outra bola?". Repita com as bonecas e vá gradualmente aumentando o número e o tipo de objectos a associar.
  • Repita a mesma actividade usando imagens em vez de objectos
  • Para variar utilize dois sacos com objectos idênticos. Tire um objecto do seu saco e peça à criança para encontrar o mesmo objecto no saco dela
  • Deixe a criança tentar separar talheres ou T-shirts brancas de meias pretas, ou maçãs de laranjas. Ajude-a indicando um local para uma dada classe de objectos.
Desenvolvimento Infantil
 
 
2-3 anos
Título: Desenha uma linha vertical, por imitação
 
Como Fazer:
 
  •  Cole com fita cola ou autocolante um papel na parede. Deixe a criança observá-la enquanto desenha uma linha vestical de cima para baixo. Peça-lhe para a imitar, se for preciso agarre-lhe na mão. Vá reduzindo gradualmente a ajuda, à medida que a criança adquire prática.
  • Faça um molde de cartão para guiar o traço da criança.
  • Use giz, lápis de cera, lápis de côr, marcadores de feltro.
  • Treine, fazendo linhas verticais na areia, usando tinta para pintar com  os dedosou espuma de barbear.
  • Coloque um autocolante no cimo e outro na base de uma página. Peça à criança para fazer um risco de modo a ligar um autocolante ao outro.
  • Coloque guloseimas que a criança goste na base da página. Diga ás crianças que as pode ter se desenhar uma linha até elas. Ajude-a.
  • Cole o papel á mesa. Incite a criança a usar um lápis de cera par empurrar um cubo para o topo ou para a base do papel. Diga " Vês a linhha? Estás a fazer uma linha cor de...".
3-4 anos
Título:Junta as duas metades duma figura para fazer um todo
 
Como Fazer:
 
  • Utilize um circulo de cartão cortado ao meio. Mostre à criança como fazer um círculo colocando correctamente as duas partes. Peça-lhe para a imitar. Mantenha um segundo circulo inteiro a servir de modelo.
  • Para servir de suporte á criança, desenhe, num papel, um círculo dividido ao meio por uma linha. Faça com que a criança coloque as duas partes do primeiro círculo sobre as linhas de orientação desenhadas no papel. Vá retirando este suporte à medida que a criança adquire competência.
  • Use desenhos simples de animais e de objectos cortados ao meio. Começe por mostrar à criança só uma forma de cada vez. Vá, gradualmente, aumentando o número, de  modo a que a criança tenha de encontar as duas partes que se conjugam.
 
3-4 anos
Título: Emparelha objectos um a um (3 ou mais objectos)
 
Como Fazer:
 
 
  • Coloque três chávenas na mesa. Dê à criança três berlindes. Peça à criança para pôr um berlinde em cada chávena dizendo " Um berlinde para uma chávena".
  • Desenhe três tijelas em coluna ao longo da margem esquerda de um papel e desenhe três colheres também em coluna, ao longo na margem dirita. Peça à criança para desenhar uma linha de forma a unir uma colher a uma tijela.
  • Coloque uma pilha de peças de lego ou cubos vermelhos e outras peças azuis à frente da criança. Tire uma peça de cada pilha e diga " Um lego vermelho- um lego azul". Peça à criança para a imitar.
  • Peça à criança para ajudar a pôr a mesa. Ponha você os pratos e deixa a criança pôr um guardanapo, um garfo, etc.., por cada prato (use pratos de brincar).
  • Deixe a criança distribuir biscoitos, bolachas, bombons, etc.. um a cada pessoa.
  • Deixe que a criança a ajude a decorar biscoitos, colocando um apassa ou uma ginja, em cada um, antes de irem ao forno.
 
 
Por hoje e porque me estou a alargar muito fico-me pelas fichas de cognição e se quer um conselho imprima estas fichas que podem vir a ajudar em alguma coisa, pelo menos é o que eu espero...  
No próximo post vou publicar fichas de sociabilização, desenvolvimento motor ou autonomia.
 
 
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ensinando Linguagem

A falta de oralidade nas crianças autistas é mais um entrave á socialização. Enquanto mãe tenho a noção que quando a linguagem está aprendida estamos um passo á frente para que a nossa criança faça a aquisição de outras aprendizagens.
A Bruna faz muita ecolália (repetição de palavras e frases) e já aconteçeu algumas vezes embora poucas, fazer frases com sentido. A que mais babada me deixa é "Gosto de ti", ui tão bom que é ouvir isto...
Noto que, cada vez fala mais, pelo que me leva a ter uma maior esperança que ela venha a desenvolver uma linguagem "normal"...









Aqui vou deichar algumas técnicas que uso com ela:

Minimizar as questões directas Não vale a pena perguntar "o que é isto?", a criança não vai responder se não souber o que é. É uma pergunta complexa para a criança, portanto não a faça...

Vá fazendo comentários Siga o seu filho e conforme o que ele vai fazendo vamos dizendo o que ele está a fazer, como se estivessemos a falar por ele ex: A Bruna está a comer um gelado. Nós dizemos -"A Bruna está a comer um gelado". Podemos acrescentar: "umh tão bom este gelado"...

Espere a sua vez  Numa eventual troca comunicativa o adulto tem que esperar, pela sua vez (mantendo contacto visual) para falar, não falando por cima da criança para que esta não se retraia na comunicação. Devemos ter o corpo na direcção da criança e ainda recompensar a criança pelo esforço. Basta o " muito bem ".

Crie situações de comunicação Para que a criança comunique espontaneamente é preciso criar situações que a obriguem a tal. Não se pode antecipar tudo o que a criança precisa, para ela ter necessidade de pedir o que quer. Por exemplo a Bruna quando quer uma Banana chega ao pé do frigorifico e fica a olhar para a fruteira. Eu já sei o que ela quer. O correcto é esperar que ela diga, pelo menos, "banana"...

Use e abuse de gestos e expressões faciais O gesto e o movimento tendem a encorajar o discurso. Primeiro capta-se a atenção da criança com gestos acompanhados da palavra de forma á criança ter um suporte visual que traduz o significado da palavra. Até pode fazer jogos com ela: peça-lhe "Atira a Bola" demonstre a actividade depois estenda os braços para apanhar a bola, " Fecha a porta" e aponte para a porta, "Senta-te"aponte para a cadera, "Vai buscar" e aponte para o objecto.

Reduza o tamanho da afirmação Quando se está a falar com a criança ou a comentar o que ela está a fazer tem que se fazer com frases curtas para que não se torne demasiado complexo. Desta forma a criança vai entender melhor. Se por exemplo a criança ainda não é capaz de usar frases com mais de duas palavras, limite o seu discurso ao uso de frases com duas palavras.

Use tom ritmo e volume exagerado É uma boa forma de captar a atenção da criança. Usa-se uma forma de entoação e volume exagerado para facilitar o contacto. É por isto que as  lengalengas são usadas na estimulação precoçe da linguagem e além disso são geralemente repetitivas. Poderá ainda cantar uma canção  e deixar espaço para que a criança colabore com uma palavra.

Contacto Visual  Olhar para a pessoa com quem se está a falar é uma coisa natural e é muito importante para facilitar a comunicação. Olhe para os olhos da criança encorajando-a a olhar para si também. Diga-lhe "Olha para mim" antes de continuar com o que vai dizer , desta forma maximiza a atenção

Reforçe qualquer esforço Não ignore as tentativas de comunicação tanto verbais como não verbais. Responda sempre á criança seja de forma verbal ou não. Desta forma vai-lhe mostar o quão importante é falarmos.

E por fim uma regra muito importante :

Divirta-se sorria sempre que possivel, ajude a criança a associar a comunicação com afecto e prazer. Tente manter-se calmo, imaginativo e criativo


Estas são as regras que eu sigo, pareçe-me que estão a surtir efeito, vou continuar até conseguir um resultado satisfatório...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ensinando I

Educar crianças num ambiente doméstico é um desafio, mas, o envolvimento dos pais em casa na terapia das crianças com PEA é uma mais valia.
Assim como os professores, os pais devem defenir metas para os seus filhos. Essas metas podem passar por ser boas maneiras á mesa, ou, interacções com irmãos por exemplo. Não importa o que seja, mas nunca se deve desviar do objectivo, muito menos desistir porque é dificil...
Os pais, devem-se concentrar em poucos objectivos e só quando os conhecimentos forem sólidamente adquiridos se deve passar para outros. Neste momento os conhecimentos que estou a tentar passar á Bruna, são, de autonomia e independência, comer sósinha e ir á casa de banho em vez de usar fraldas.Os objectivos devem ser muito especificos. Por exemplo, em vez de melhorar as boas maneiras, deve, ensinar primeiro a usar os talheres, mas é claro que não os vamos deixar pôr os pés em cima da mesa. Seus objectivos devem poder ser medidos e registados, para ir sabendo se está a haver evolução.
Nem todas as pessoas aprendem da mesma forma. Algumas pessoas aprendem melhor quando se ouvem em voz alta, outras preferem ler e outros muitos, dos meninos com PEA, aprendem melhor a fazer repetidamente a mesma tarefa. outras, preferem o método visual, fotos e videos são uma ótima forma de aprender, se o seu filho gosta de jogos de computador e videos pode ser um aprendiz visual. O método auditivo, é também um método a ter em conta, se assim for, o melhor é ouvir histórias.
Seja qual for a forma de ensinar o seu filho, a aprendizagem vai ser ótimizada se estiver a trabalhar com ele em casa, o mesmo que os professores e terapeutas.
Estabeleça um plano de ensino. Todos sabemos como é dificil ter tempo para tudo o que precisamos de fazer, um plano vai ajudar. Planeje então o horário em que vai trabalhar com o seu filho, para não começar a fazer tarefas e deixar os ensinamentos para depois. Pode no entanto pode incorporar o ensino em suas rotinas domésticas. Por exemplo peça ajuda para pôr a mesa.
Acompamhar o progresso é fundamental. É importante perceber em que fase estão os conhecimentos, se estão emergentes ou adquiridos, de forma a alterar o método de ensino se for caso disso, ou, inserir um novo objectivo ao seu plano de trabalho. Este acompanhamento ajuda os pais a manterem-se positivos nos seus objectivos.
Duas dicas importantes são:
- Utilize o interesse das crianças para as motivar, tanto para jogos como para recompensa
-Eliminar as distrações ,nomeadamente, luzes brilhantes ou barulhos

Independentemente se os objectivos são conseguidos, ou não, estamos a ajudar os nossos filhos na superação de desafios.Por um lado as crianças apercebem-se do esforço dos pais e por outro lado a criança vai ter um maior progresso geral.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Medicação

Hoje foi dia de ir ao médico. Visitamos o Dr. Pedro Caldeira pedopsiquiatra da Bruna. Os medicamentos que a Bruna estava a tomar aparentemente estavam a perder os efeitos. Nas últimas duas semanas, tem estado mais agitada, da escola já tinha recebido queixas de que não estavam a conseguir trabalhar com a Bruna. Mas o cúmulo foi ela ter chegado a casa com as pernas todas negras, por ter andado a bater com elas nos móveis da escola ( ela deita-se ou senta-se e agita as pernas no ar), quando fui á piscina na sexta feira estava uma senhora nos balneáros que não tirava os olhos de cima de nós, se calhar, pensou que eu batia na miúda, enfim... Aparentemente a medicação estava a deixar de fazer efeito, porque, a Bruna deu agora um grande pulo e aumentou de peso...
Há pais que são contra o uso de medicação, mas eu cá não sou fundamentalista e embora pense que deve ser evitada, também sei que tudo depende de cada caso, embora hajam pessoas que digam que a medicação é para o facilitismo, para mim é para melhorar a qualidade de vida da minha filha. Além disso, crianças não tratadas têm muitas vezes marcada baixa auto-estima. Os pais anti-medicação falam inclusivamente das contra-indicações dos medicamentos, mas eu penso que temos que contrabalançar os efeitos benéficos e os maleficios e chegar a uma conclusão assertiva









A medicação visa moderar a exacerbação de comportamentos menos próprios. A Bruna é medicada para a hiperactividade e agressividade, que são comportamentos extremamente incapacitantes já que eram exagerados, prejudicávam a aprendizagem o convivio com os pares e dificultava que ela se entretesse com actividades elaboradas. Outro dos sintomas a que é tratada é ao Défice de Atenção. São comportamentos que têm que ser controlados pelo que é necessário o uso de fármacos. A Bruna usa Bunil para a ansiedade e agitação e Ritalina para melhorar a atenção. Vai começar a tomar Magnésio com vitamina B6, também para a concentração.

De qualquer forma para medicar a criança, temos que ter vários cuidados:

- Nunca medicar sem consultar o médico- isso é básico de conhecimento de todos.
-Haver uma boa comunicação entre os pais e o médico.
-Delimitar ao máximo o mais precisamente possivel quais são os sintomas alvo que desejamos atingir com a utilização de uma droga especifica.
-Vigilancia médica regular, o minimo duas consultas anuais.
-Análises de 6 em 6 meses.

No entanto, e por mais medicação que os nossos meninos tomem, estamos distantes ainda do objectivo de conseguir modificações essenciais...