BananinhaAzul porque um dia perguntei a cor de uma banana á minha filha e ela respondeu azul. Embora também pudesse ter este nome porque a cor azul é repetidamente relacionada com Autismo.
Com este blog passo a fazer uma das coisas que mais gosto de fazer que é escrever e escrevo sobre uma temática em que realmente tenho alguma coisa para dizer... Goste!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Reportagem TVI "Despertares" - Opinião o que gostei e o que não gostei...

Olá boa noite, não sei se estarão interessados em conheçer a minha opinião sobre a reportagem, que passou na última segunda feira sobre autismo na TVI, mas aqui vai:

Primeiro que tudo tenho que dizer que vi a mesma, duas vezes, uma logo em directo e outra para me certificar das ideias com que tinha ficado.

Para começar, quero dar os parabéns a estes pais que participaram no trabalho, gostei bastante de ver os testemunhos de todos. Em especial e não me levem a mal, gostei de ver a Sofia e o Miguel, que me são próximos, no sentido em que o Miguel e a minha filha Bruna chegaram a andar na mesma escola e que nessa altura conheçi a Sofia, com quem tenho falado muitas vezes, é uma das
poucas mães de crianças autistas que conheço pessoalmente, já se ofereceu para alguma coisa que fosse necessária numa altura em que estive doente, demostra sempre grande calma e serenidade... tenho um carinho especial por eles.

Contudo, apesar de ter gostado da participação dos pais, achei que a reportagem apresentou falhas. Nenhum psicólogo foi ouvido para falar dos benefícios da terapia do ponto de vista clínico, já que basicamente a reportagem visava mostrar os benefícios da ABA.
Não foi ouvido ninguém responsável, para que se pudesse apurar por que motivo esta terapia não é usada em escolas de ensino regular, ou como nos Estados Unidos ser comparticipada a 100%.
Não foi explicado, que esta terapia não é nenhum milagre e que não vai oferecer a independência a todos, na realidade até se falou em percentagens na reportagem, mas fiquei com a ideia de que uma pessoa que está por fora do assunto, vai ficar a pensar que com ABA intensivo a criança vai conseguir. Não é verdade, o ABA não é a cura, nem todos os meninos, tal como Luis Carlos vão conseguir ser campeões de alguma coisa.

Não é minha intenção dizer que esta terapia não é boa, pessoalmente tenho muito boa ideia do ABA, adoraria que a minha filha a tivesse, mas não posso.
Não foi dito na reportagem os valores, mas são mais altos que o ordenado mínimo nacional. Penso que já no ano passado, falei com a Sofia sobre esse assunto e não me recordo quanto ela pagava por algumas horas, mas lembro-me perfeitamente que ela pagava mais por algumas horas, do que aquilo que era o meu ordenado.

É chocante uma família ter que vender os carros e a própria casa, para poder pagar tratamento a uma criança. Os pais do Marcos, dizem que pagam cerca de 2000 € mensais pelas terapias do menino. Uma das primeiras alíneas da Constituição da Républica fala em igualdade de direitos, não é irónico?? Onde é que está a igualdade de direitos entre cidadãos...

Se reparáram quando a Sofia fala em desemprego e nas despesas acrescidas, engole em seco, engolimos todos em seco...

Onde é que está o dinheiro para pagar uma terapia tão cara, onde são precisas tantas horas.
A Mariana faz 25 horas por semana à 4 anos, a Mariana tem síndrome de Rett, antes da terapia não conseguia andar e equilibrar-se. Se estes pais não conseguissem pagar a terapia, o que seria dela? Que raio de país o nosso...


Voltando à ideia inicial a crítica à reportagem, acho que foram focados os problemas pincipais destas crianças e das suas famílias.

O futuro, as despesas acrescidas, os diagnósticos errados, a notícia dada de uma forma pouco humana, a falta de uma vida para lá da deficiência, o afastamento de amigos e até familíares, a ideia errada de que os autistas "têm um mundo só deles",os membros docasal atribuirem culpas um ao outro, o apoio dos avós... a parentalidade no masculino, um abraço em particular ao Carlos França, pai do Luis Carlos, que teve coragem de admitir que chegou a pensar no suicídio.

Por fim quero levantar uma questão: Porque é que uma reportagem que era para ser transmitida em Abril, só o foi em Novembro??? Sei que a jornalista Ana Leal que fez a reportagem foi despedida da TVI, mas não creio que seja essa a resposta à pergunta, uma vez que o trabalho foi mesmo para o ar...
Provávelmente não tinham conteudo para encher naquele dia e por isso foram buscar esta reportagem, o que não me deixa nada feliz, porque se assim for, significa que ainda não foi dado ao Autismo a verdadeira importância que tem.

Lá está, só quando nos bate à porta é que acordamos...


Pode ver a reportagem neste link


5 comentários:

  1. Concordo em tudo Edite, tive a mesma opinião que tu. Ainda ontem na consulta com a psicóloga do João e enquanto aguardava na sala de espera, falei com uma mãe que me dizia ter ido sozinha com o filho para Lisboa, isto à uns anos atrás e deixando cá o marido, para ir para uma escola onde tinham essa terapia e depois de um ano e muito dinheiro gasto (mil euros mês), resolveu voltar de tão desanimada pois as melhoras tinham sido zero. Não sei se funciona ou não, ou se é a correcta para todos os casos mas uma coisa é certa: e quem não tem dinheiro? Tendo eu mais 3 filhos para além do João, marido com doença oncológica e em tratamento, eu desempregada resta-me ser eu mesma e a restante família, os seus terapeutas dando-lhe amor e tentando resgatá-lo para o nosso mundo mas sempre respeitando o seu e acreditando com fé que vamos conseguir...

    Beijinhos!

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    1. Está desempregada Mariana??? Candidate-se a uma cadeira na A.R. vai ter tudo a que tem direito e MUITO MAIS... Beijinhos cheios de esperança que um dia tudo melhore, quer com os nossos filhos, quer com esta sociedade com tanta desigualdade...

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  2. Não posso deixar de comentar.Por mim falo,continuo desempregada e entretanto divorciada.Não gastei os milhares que falaram na reportagem e consegui vitórias estrondosas com o meu filho.Tive também a oportunidade de explorar esta terapia com o meu filho e disse não...não me identifico de todo com ela.Visto que ela baseia-se fundamentalmente na repetição...eu investi em reeducar-me como mãe,e mudar tudo.Dar-lhe competências para a vida,estimulá-lo a fazer as coisas sem isso da repetição.Eles não são robôts...e creio que como em todo lado,no meio desta terapia há muitos ganhos...os pais buscam uma saída...invistam o vosso TEMPO,dediquem-se a mil por cento a eles...e aí sim verão mudanças.Não deleguem a terceiros a recuperação de um filho.Beijinhos.
    Dulce de Sousa.

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    1. Olá anónimo( lol). A questão do trabalho em casa nem se coloca, é fundamental e faz toda a diferença. Mas não creio que por os pais quererem oferecer esta terapia aos filhos não façam a sua parte em casa...
      Quanto á repetição, com o devido respeito pela sua opinião, mas para ensinarmos algo temos mesmo que fazer repetições até que eles atinjam o objectivo, seja em casa na escola, onde for... não há outra forma...
      Obrigada pela participação :)

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  3. Eu não tenho capacidade financeira para essa terapia, tanto eu como o meu marido estamos desempregados mas nunca desmazelamos o acompanhamento que a minha menina precisa ou de tentar sempre o melhor. O acompanhamento que a minha filhota tem, tem dado frutos e sim muitas das coisas são aprendidas com insistência em repetições. O que eu acho nessa terapia(ABA) é que me parece ser tudo através só das repetições para melhorar a independência das crianças/jovens mas parece que a parte emocional está um pouco ausente. Posso estar errada mas foi o que me pareceu na reportagem. Quando a minha menina começou com as terapias antes de se insistir no trabalho ou em qualquer coisa começou por se trabalhar a confiança dela. Por isso ela vai super contente para as terapias e adora as terapeutas, porque antes de começar a exigir logo "trabalho" e "resultados", trabalharam a confiança e que ela permitisse elas brincarem com ela. Depois desse trabalho foi possível passar a fazer mais pedidos e a exigir mais dela. Mas graças ao facto de trabalharem essa parte emocional ela agora é capaz de estar com qualquer pessoa. Claro que muito trabalho passa por repetições, mas também é possível fazê-lo a brincar. E a minha menina aprende muito assim, principalmente porque tem uma memória fotográfica incrível, muito melhor do que a mãe ou o pai....bjs

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